Por que "clepsidro-me"?!?!

Leia a primeira postagem e descubra!!! (clique aqui)







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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Nostalgia


Há muitos anos (uns 20?), eu frequentava uma livraria pertinho da minha casa. Já conhecia o dono e os vendedores, que eram realmente apaixonados por livros e com quem eu adorava conversar - às vezes passava lá só pra falar um oi e dar um dedo de prosa. 
Já era da casa: quando eu chegava, eles vinham me cumprimentar e depois me deixavam fuçar as prateleiras à vontade, sem pressão pra comprar, mas sempre com muita disposição pra me ajudar a encontrar o que eu queria. Eu tinha até acesso ao "porão", lugar vetado aos clientes comuns e onde eu passava um bom tempo, remexendo em títulos que ainda não tinham ido para as prateleiras. 
E quando tinha novidade de meus autores favoritos (que eles sabiam de cor), lá vinham eles com o livro: "Olha o que chegou. Você vai gostar..." 
Sem falar que encontravam tudo quanto é livro que eu queria - era só encomendar e segurar a ansiedade da espera! 
Hoje o local é um instituto de depilação, sempre que entro lá e dou de cara com o jardim interno, bate uma nostalgia!! 
Ai, que saudades da "minha livraria": do tempo que passava lendo naquele jardim e dos meus amigos de lá. 

PS: Essas recordações vieram à tona por conta da matéria abaixo:

http://followthecolours.com.br/just-coolt/9-livrarias-independentes-que-voce-precisa-descobrir-em-sp/



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Noite escura
só o canto
do sabiá boêmio
ilumina o silêncio

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Na foto,
tirada há 50 anos,
vi um menino.
Causou-me espanto.

Espantou-me não a diferença, mas a semelhança.
O nariz bradava: sou o mesmo.
Os olhos e o sorriso, também reconheci: francos como eu os sabia.

A expressão do rosto,
misto de alegria e curiosidade,
atestava: sou eu, ainda que cem anos
me distanciem do meu retrato.

Minha alma aquietou-se:
desde sempre é assim.
Amante
das orquestras
do cinema
do vinho
do charuto
das sereias perfumadas
das mulheres
das artes

Manda chuva
que não manda no coração

Malcriado
orgulhoso de sua malcriação

Desalmado
que não sabe o fazer
com a sensibilidade da alma

Que o tempo equilibre alma e desalma,
Que Apolo e Dionísio o abençoem!!


jun/13


terça-feira, 21 de maio de 2013

Sensibilidade roubada

Nesse Tempo, como somos imortais, pra que Futuro?

(roubada de um desalmado)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O tempo todo
eestava consciente de sua presença,
sensível ao seu toque sutil
na minhas costas.

Toque imperceptível para os outros,
indelével para mim.

Não toda a palma da mão,
apenas as pontas dos dedos,
fazendo uma leve pressão nas minhas costas.

Como se dissesse:
"Estou aqui".
Como se fosse
preciso me dizer isso...

Através da blusa fina,
sentia o calor de seus dedos,
que se espalhava pelo meu corpo

Se o desejo
precisa de apenas uma fagulha,
estava ali anunciado
um incêndio...

terça-feira, 10 de abril de 2012

E por falar em Rio de Janeiro...











Fotos tiradas com meu celular, em jan/12: três do Rio (duas da vista do Parque das Ruínas e uma de uma Igreja em Sta Teresa) e uma da vista da Ilha do Araújo, em Paraty





sexta-feira, 23 de março de 2012

A Moreninha




Ontem me falaram desse livro. Lembrei-me da Ilha de Paquetá, lugar que adoro e me traz boas lembranças. Queria reler o romance do Macedo nas sombras das árvores de Paquetá, onde o tempo parece não ter nenhuma importância.








- Seja dado ao homem agonizante lançar seus últimos pensamentos do leito da morte, além dos anos, que já não serão para ele, e penetrar com seus olhares através do véu do futuro!... (...) Eu não vos iludo... vejo lá... bem longe... a promessa realizada! São dois anjos que se unem... vede!... (...) Meus filhos, eu vos vejo casados lá no futuro!...
- Oh!... eis aí outra vez o delírio!... disse a velha vendo a exaltação e o semblante afogueado do enfermo.
- Não (...) Não é delírio... Pois o quê!... não pode o Eterno abençoar a virtude pela minha boca?
(...)
Escutando suas palavras, eu acreditei que estávamos ouvindo uma profecia infalivelmente realizável, pronunciada por um inspirado do Senhor.
(...) O doente, cujas forças pareciam haver reaparecido subitamente, apoiando-se sobre um dos cotovelos, abriu a gaveta de uma mesa, que estava junto de seu leito, e tirando de uma pequena e antiga caixa dois breves, os deu à velha, dizendo:
- Minha mãe, descosa esses dois breves.
A velha, obedecendo pontualmente, os descoseu com prontidão. Os breves eram dois: um verde e outro branco.
Depois o ancião, voltando-se para mim, disse:
- Menino! que trazeis convosco que possais oferecer a esta menina?...
Eu corri com os olhos tudo que em mim havia e só achei (...) um lindo alfinete de camafeu, que meu pai me tinha dado para trazer ao peito e, maquinalmente, pus-lhe nas mãos o meu camafeu.
O velho quebrou o pé do alfinete e dando-o a sua mãe, acrescentou:
- Minha mãe, cosa dentro do breve branco este camafeu.
E voltando-se para minha bela camarada, continuou:
- Menina! que trazeis convosco que possais oferecer a este menino?...
A menina (...) entregou-lhe um botão de esmeralda que trazia em sua camisinha. O velho o deu à sua mãe, dizendo:
- Minha mãe, cosa esta esmeralda dentro do breve verde.
Quando as ordens do ancião foram completamente executadas, ele tomou os dois breves e, dando-me o de cor branca, disse-me:
- Tomais este breve, cuja cor exprime a candura da alma daquela menina. Ele contém o vosso camafeu: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele belo anjo, dai-lho, a fim de que ela o guarde com desvelo.
Eu mal compreendi o que o velho queria (...) entreguei o breve à linda menina, que o prendeu no cordão de ouro que trazia ao pescoço.
Chegou a vez dela. O nosso homem deu-lhe o outro breve, dizendo:
- Tomai este breve, cuja cor exprime as esperanças do coração daquele menino. Ele contém a vossa esmeralda: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele bom anjo, dai-lho, a fim de que ele o guarde com desvelo.
Minha bela mulher executou a insinuação do velho com prontidão, e eu prendi o breve ao meu pescoço com uma fita que me deram.
Quando tudo isto estava feito, o velho prosseguiu ainda:
- Ide, meus meninos; crescei e sede felizes! vós olhastes para mim, pobre e miserável, e Deus olhará para vós...








Link para o livro do Joaquim Manuel de Macedo, no Domínio Público:







sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os Nerys
















Ontem à noite, enquanto arrumava uns livros, me deparei com um folheto de uma exposição do Ismael Nery, à qual fui em 2000, na FAAP (nossa, como guardo coisa!!).



Por coincidência, outubro é o mês de aniversário dele, que nasceu em 09/10/1900. Ismael foi pintor, desenhista e poeta bissexto, assim chamado porque não escrevia com regularidade.



Ele foi casado com Adalgisa Nery, jornalista e poetisa. E esse post nasceu por causa dela: no meio dos meus livros encontrei o tal folheto, no qual estava escrito, com minha letra apressada, um poema dela, que transcrevo abaixo.



Pra não ser injusta com o Ismael, coloco também um poema dele e uns quadros.







Teoria do Zero - Adaligisa Nery






O desejo que absorve dois corpos


E por instantes funde-os na unidade


Sentimentos com a força das marés vazantes


Baixam às próximas marés enchentes


Dois corpos abadonados, flutuando


No oceano aberto





Poema para ela - Ismael Nery


Acabaram-se os tempos.


Morreram as árvores e os homens.


Destruiram-se as casas.


Submergiram-se as montanhas.


Depois o mar desapareceu.


O mundo transformou-se numa enorme planície.


Onde só existe areia e uma tristeza infinita.


Um anjo sobrevoa os destroços da terra,


Olhando a coléra de um Deus ofendido.


E encontrou nossos dois corpos fortemente enlaçados


Que a raiva do Senhor não quis destruir


Para a eterna lembrança do amor maior.





PS: Os quadros são um autorretrato, um retrato da Adalgisa (por último) e o outro não sei se tem título.
























domingo, 17 de julho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Elogio à amizade








Quanto tempo, né?! Depois de quase um mês sem postar, um pouco devido à falta de tempo e um pouco à falta de assunto, volto pra registrar algo que muito me emocionou: um vídeo postado no Uol (o link está aí embaixo).


Hoje chorei na frente do computador - quem me conhece vai dizer que isso não é nada difícil, pois eu sou mesmo uma manteiga derretida! Tá bom, tenho que concordar!! Mas talvez você se emocione também...


Um menino de 17 anos estaria ficando deprimido porque seus cabelos caíram depois de um mês de quimioterapia. O que fizeram seus amigos? Rasparam a cabeça pra que Artuhr não se sentisse diferente!


Fiquei realmente comovida! Tenho dois motivos especiais pra me comover: meus cabelos também caíram com a quimio e já fui surpreendida com atitudes de carinho pela garotada da idade do Arthur.


Depois de mais ou menos 6 semanas da minha primeira sessão de quimio (foram só 4, graças a Deus), meus cabelos começaram a cair e, o que era mil vezes pior, meu couro cabeludo começou a dor muuuuito. Não tive dúvidas, disse a minha família que iria raspar a cabeça, pois não queria passar pelo desconforto daquela dor desnecessária. Claro que ouvi negativas à minha decisão. Mas expliquei que eu me sentiria melhor e que a decisão já estava tomada.


O cabeleireiro que raspou meu cabelo tinha perdido sua mãe para o câncer e foi generossímo comigo (caso leia esse blog, Hélio, meus sinceros e emocionados agradecimentos). O alívio que senti foi tão bom que nem quis usar de imediato a peruca que havia comprado. E olha que meus cabelos eram bem compridos!!


Depois de uns quatro meses, meu cabelo voltou a crescer normalmente e eu aposentei a peruca. Passei a ser "fashion" com o cabelo curtíssimo!! Estava tão feliz porque a quimio tinha acabado que me sentia linda e maravilhosa!! (se estava ou não, são outros quinhentos!! as fotos dessa postagem são de meu anivernisário, nessa época - tirem suas conclusões!! rsrs) Hoje, mais de um ano depois, meus cabelos já estão compridos novamente!!


Mas o que realmente me emocionou foi o carinho da galera com seu amigo! Todo mundo fala que os adolescentes são temperamentais, que é díficil tratar com eles e coisas assim!


Tenho que concordar que a relação com eles não é sempre um mar de rosas (mas há relação sem dificuldade? eu desconheço!), mas já presenciei demonstrações tocáveis de carinho e solidariedade! Lembro de uma vez que os alunos receberam a notícia de que um professor estava tendo dificuldade financeira em seu tratamento de câncer. Imediatamente os meninos tiveram um monte de ideias pra levantar dinheiro pra esse professor!! Foi muito bonito ver isso!


Assistindo ao vídeo dos colegas do Arthur, me lembrei de uma surpresa que meus alunos fizeram quando me despedi da escola onde trabalhava, no Rio. Tenho as fotos, o video e os bilhetinhos - de vez em quando revejo tudo e, claro, meus olhos enchem de água!!


Aos meus queridos adolescentes (alguns hoje já não são mais adolescentes!! rsrs), minha sincera admiração e meu eterno carinho!! Saibam que aprendi muito com vocês!!






Link pra notícia do Uol:



http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/03/ele-ficou-com-as-pernas-tremendo-diz-aluno-que-idealizou-careca-coletiva-em-minas-gerais.jhtm






quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Belas Artes

Hoje, após minha caminhada de 1 hora, que espero se torne habitual em 2011, entro no carro, ligo o rádio (esse hábito, mais fácil, já incorporei!) e me dirijo ao trabalho.
Quando estava quase chegando, ouço uma notícia que muito me entristece: o Belas Artes vai fechar.
Fico muito surpresa, porque achei que o perigo já havia passado. Sabia que o André Sturm, proprietário do cinema, havia acertado um novo patrocínio com o HSBC.
Não sei o que aconteceu, mas notícias na imprensa dão conta de que o proprietário do prédio pediu o imóvel e pretende abrir uma loja no lugar do cinema. Parece que mais uma vez o consumo se impõe.
O Belas Artes foi um dos responsáveis pela minha paixão por cinema (falo dele como se fosse uma pessoa, pois é assim que sinto. É como se tivesse perdendo um amigo de longa data). Talvez tenha sido o principal responsável.
Lembro que, em meados da década de 80, eu namorava um rapaz que trabalhava ali pertinho, na Av. Paulista. Um de nossos programas preferidos era ir ao Belas Artes. Muitas vezes nem sabíamos bem o que estava passando, mas tínhamos certeza de que um bom filme esperava por nós.
Lembro também de encontrar com o pessoal da faculdade no Riviera, bar em frente ao Belas Artes, pra irmos juntos ao cinema. Enquanto esperávamos a turma chegar, bebíamos uma cerveja e resolvíamos todos os problemas da humanidade.
Eu adorava aquele pedaço, me sentia em casa, ficava olhando os livros usados nas bancas da esquina da Consolação com a Paulista. De tanto passar por lá, fiz amizade com os livreiros, que conseguiam pra mim qualquer livro, mesmo que estivesse esgotado ou fosse raríssimo.
Outra lembrança saborosa era o café do Fran's. Na verdade mais o aroma do café do que o gosto, pois naquela época praticamente não bebia café puro - mas me acabava no capuccino. Era muito comum sair do cinema e ir ao Fran's, que naquela época era um dos poucos lugares que ficava aberto madrugada adentro.
A última delícia do Belas Artes era o Noitão - uma sequência de três filmes, sendo o primeiro, que começava à meia-noite, uma pré-estreia e o último uma surpresa (não era divulgado qual filme seria exibido).
Sei que sentirei muitas saudades do Belas Artes, sei que sentirei um aperto no coração quando passar por ali e não o vir, sei também que nunca mais vou ter a mesma sensação que tinha ao ir às salas do Bela Artes.
Assim como o Riviera, o Belas Artes também ficará só na memória e na saudade

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Frutinha vermelha


Quando eu tinha uns 3 ou 4 anos, falei pra minha mãe que eu estava com vontade de comer uma frutinha vermelha (eu até hoje sou cheia das vontades de comer isso ou aquilo!).

Mamãe, zelosa como sempre, pediu mais informações pra saber que frutinha era aquela.

- Ah, mamãe, é um frutinha pequena assim ó, vermelhinha...

Como isso não dizia muito, ela foi por tentativa e erro. Trouxe primeiro morango, a mais óbvia, mas não era.

Depois vieram: ameixa, framboesa, amora, cereja, até uva e figo, que nem são assim tão vermelhas.

Eu me esbaldava com todas, mas continuava com a vontade da tal frutinha vermelha.

Mamãe sempre pedia ao feirante, nosso amigo: se você encontrar uma fruta vermelha e pequena, traga pra mim, por favor.

Sei que meses se passaram em busca da fruta perdida, mas tudo em vão.

Até que todos esqueram da história. Todos, menos eu! Meus desejos são teimosos, não vão embora enquanto não são saciados.

Num belo dia, estava a pé, indo não sei onde com minha mãe, quando falei:

- Olha lá a frutinha vermelha!!

Minha mãe não entendeu nada, devia estar preocupada com os afazeres do dia:

- O quê??

- É aquela frutinha que eu quero! - disse, apontando para um pé de romã.
- Mas ela não é vermelha!! Você disse que era vermelhinha!!
- É vermelha, sim, mãe!! Por dentro é bem vermelhinha!!!

Minha mãe, resignada, tocou a campainha da casa e meio constrangida pediu uma romã, que eu comi como se tivesse vindo direto do Olimpo!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


negros cachos
negros olhos
negro toque

quero me perder na doce escuridão

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pôr-do-sol

o sol se põe
como sua mão se põe em meu ombro
como o desejo se põe em nós
como o beijo, vermelho tal o entardecer, se põe em meus lábios

depois vem o frio,
o vento gelado de outono
espanta os espectadores,
mas não nos espanta
ficamos deitados na grama
os corpos colados, aquecendo um ao outro

a praça, agora vazia e silenciosa
como a noite que se anuncia,
nos convida a permanecer
nesta delicada contemplação

E nós, adolescentes despreocupados,
nos quedamos no entreato do inquieto cotidiano

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A insustentável leveza de ser

Ontem revi o filme do Phillip Kaufman, baseado no romance do Kundera - A insustentável leveza de ser, que já havia mencionado aqui.
Tinha me esquecido como é bonito!! Novamente me emocionei com o filme!!
Enquanto assistia, algumas palavras e imagens flutuavam entre mim e a tela:

confiança


sensualidade
força bruta
amor
política
DDDDDDDDDDDDDddddddddddddddddddddddddddddddddDDDD felicidade
liberdade sssssssssssssssssssss sofrimento
leveza eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeescolhas


prazer
SSSSSSSSSSSSSSSSSS sonho
dddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd desejo


primavera de Praga (e tudo o que isso implica)
beleza
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr repressão


covardia
luta
o "meu chapéu"!!




PS: se você não entendeu o "meu chapéu", leia a postagem sobre o Kundera.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Kundera



Ontem à noite, iniciei a leitura do "A valsa dos adeuses", do escritor tcheco Milan Kundera.


Conheci o Kundera pelo cinema: no final da década de 80 assisti à adaptação do seu livro "A insustentável leveza do ser", com o Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. Me apaixonei pela história e por esses personagens e então li esse e outros livros dele.


Lembro bem de uma cena do filme em que dois personagens brincavam com um chapéu. Além de linda, sensual e delicadíssima, a cena trazia um chapéu exatamente igual ao que havia acabado de ganhar de presente para integrar-se à minha, então tímida, coleção de chapéus.


Filme especial, presente especialíssimo de alguém muito amado. O presente, de tão lindo, foi roubado em uma festa por pura distração minha, mas a pessoa que mo deu ainda permanece intacta em meus sentimentos.


No livro que estou lendo agora, encontrei uma frase que me surpreendeu pela obviedade e, simultaneamente, pelo inusitado (aliás com o Kundera esse sentimento é recorrente). Aí vai ela:


"O ciúme possui o poder espantoso de iluminar o ser amado com raios intensos e de manter a multidão dos outros homens numa total obscuridade."

Aliás, no filme isso é muito verdadeiro no comportamento da personagem Tereza, que ilumina Thomaz com sua insistência em tê-lo por completo (o que para ela requer exclusividade).

A leveza de Thomaz pesa para ela - para ele a vida é um grande entretenimento. Talvez daí venha seu charme...

PS:

1) Essa frase me faz pensar onde colocamos nossa luz.
2) A cena final do filme ficou indelével em minha memória. Acho que vou rever esse filme, me deu uma nostalgia...
3) O chapéu era igual a esse da foto.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tatit


Faz uns meses comprei um CD do Luiz Tatit. Eu gosto muito desse Tatit - digo "desse" porque é uma família de gente com talento, tem o Paulo, tem o Jonas, ambos envolvidos no Palavra Cantada/Tocada.

O Luiz Tatit foi meu professor na faculdade e desde aquela época sou apaixonada pelo trabalho dele, além de um professor super competente - consegue explicar coisas complicadas de uma maneira simples e interessante -, é um músico criativo. Foi fundador do extinto Grupo Rumo, um dos mais interessantes que conheci, com letras acuradas.

Aliás a palavra sempre foi o forte de Tatit, por isso vou postar aqui, como homenagem, duas letras bem criativas do seu mais recente CD "Sem destino".

A primeira é a que dá nome ao disco:

"Tudo que era o meu destino
Na verdade nunca me aconteceu
Pode ter acontecido
Pra alguma pessoa
Mas não era eu
Vivo assim na vida sem previsão
Todo mundo tem destino, eu não
Nunca os fatos são de fato fatais
Não confio na fortuna jamais
Puro acaso e nada mais

Tudo que já estava escrito
No meu caso nunca se concretizou
Só talvez o aniversário
Que é na mesma data
E não se aterou
Era pra eu já ter encontrado um amor
Era pra eu já ter esquecido o anterior
Era pra eu já ter aprendido a sonhar
Era pra eu correr o mundo e voltar
Mas viagem sem destino, não dá

Quero minha sina
Quero minha sorte
Quero meu destino
Quero ter um norte
Quero ouvir uma vidente
Que me conte tudo
Só esconda a morte
Quero uma cereza mínima
Que se confirme
Que não seja trote
Por não ter o meu destino
Vivo em desatino
Como D. Quixote

Quem não tem o seu destino
Chega a noite
Pensa que tudo acabou
Se levanta muito cedo
Nunca sabe bem
Por que levantou
Nada tem urgência para cumprir
Pode virar do outro lado e dormir
Pode ficar nessa até o entardecer
Todos os amigos vão entender
Levantar sem ter destino
Pra quê?

Ser assim tão sem destino
Me preocupa muito
Me deixa infeliz
Sempre quis o meu destino
Foi o meu destino
Que nunca me quis
Mesmo algum sucesso que ele
previu
Era pra me revelar, desistiu
Acho que ele foi atrás de outro
alguém
Pois destino tem destino também
E só revela aquilo que lhe convém.


A segunda canção, chama-se "Dia sim, dia não":

Quem amou
Dia sim dia não
Só amou à prestação
Na indecisão
Teve carinho
mas nunca teve carinhão
Que é uma ternura imensa
Que pega ponta do seu pé
E vai ao topo da cabeça
É um caminhão de cafunés

Quem chorou
Dia sim dia não
Dividindo a aflição
Com a razão
Chorava menos
Mas foi chorando até o verão
Quando o prazer aumenta
Quando é melhor se animar
Pois se chora ninguém aguenta
Despeja as lágrimas no mar

Quem sofreu
Dia sim dia não
Só sofreu uma fração
Uma porção
Melancolia
Mas que virou satisfação
Mas que virou melancolia
É pra testar o coração
No desalento e na alegria
É o tiquetaque da emoção

Dia sim dia não
Um adianta, outro atrasa
A evolução
E a solução
Dia sim dia não
Um machuca, outro sopra
E fica bom
Ou quase bom
Vai se abrir, se fechar
Vai sorrir, soluçar
Vai a vida vai e volta:
Amar, chorar, sofrer

segunda-feira, 19 de julho de 2010

São Paulo
Paraty
Rio
Olinda
Salvador
Sorocaba
Lençóis
Pipa
Joanópolis
Santos
São Chico
Recife
Pomerode
Floripa
Delfinópolis
Curitiba
Maceió
Carrancas
Sydnei
Ribeirão Preto
Blumenau
Ouro Preto
Campos do Jordão
Ibitipoca

Pedaços de saudades...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Memórias


Como posso me lembrar da expressão exata de seus olhos,
sem fazer ideia de que cor eles estavam naquela hora?
(sim, porque os olhos mudam de roupa, dependendo de seu estado de espírito...)

Como posso me lembrar da voz que exagerava tudo e mais um pouco...
sem lembrar de uma só palavra que era pronunciada por ela?

Como posso me lembrar do cheiro desagradável do cigarro,
sem saber se havia fumaça?

Como me lembro tão perfeitamente do meu desespero,
ao ouvir seus gritos e ver seu rosto de dor,
escondido de mim por intermináveis corredores?

Como posso me lembrar de minha avó rodeando o fogão
pra roubar um pouquinho do doce de abóbora de minha mãe:
"É pras crianças, elas estão com vontade!!"
(A criança com mais vontade tinha pelo menos 60 anos!!).
Não me lembro de seu rosto, só de seu corpo, dançando em volta do fogo...

Como posso me lembrar de quem me ensinou o prazer de um bom papo furado,
regado a caipirinha e "belisquetes" no boteco mais próximo,
sem saber qual foi a primeira vez que estivemos juntos no Valadares?

Como posso me lembrar tão perfeitamente de
quando disse que me faria gostar de montanhas,
sem ter ideia do ensejo pra tal promessa?

Como posso ver as cicatrizes no meu corpo,
e não lembrar da dor ?
(não me lembro dela, mas sei que me tornou mais forte)
Como posso lembrar do livro que me absorveu tão completamente,
sem ter ideia da história que ele contava?

Como posso me lembrar com saudade
de seu beijo roubado
sem saber como você se aproximou tanto de meu rosto?

Como posso me lembrar dos momentos incríveis que a vida me reserva,
se eles ainda estão a caminho?

A memória é imprevisível
e temperamental:
só guarda em seu baú o que bem quer!