Por que "clepsidro-me"?!?!

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Nostalgia


Há muitos anos (uns 20?), eu frequentava uma livraria pertinho da minha casa. Já conhecia o dono e os vendedores, que eram realmente apaixonados por livros e com quem eu adorava conversar - às vezes passava lá só pra falar um oi e dar um dedo de prosa. 
Já era da casa: quando eu chegava, eles vinham me cumprimentar e depois me deixavam fuçar as prateleiras à vontade, sem pressão pra comprar, mas sempre com muita disposição pra me ajudar a encontrar o que eu queria. Eu tinha até acesso ao "porão", lugar vetado aos clientes comuns e onde eu passava um bom tempo, remexendo em títulos que ainda não tinham ido para as prateleiras. 
E quando tinha novidade de meus autores favoritos (que eles sabiam de cor), lá vinham eles com o livro: "Olha o que chegou. Você vai gostar..." 
Sem falar que encontravam tudo quanto é livro que eu queria - era só encomendar e segurar a ansiedade da espera! 
Hoje o local é um instituto de depilação, sempre que entro lá e dou de cara com o jardim interno, bate uma nostalgia!! 
Ai, que saudades da "minha livraria": do tempo que passava lendo naquele jardim e dos meus amigos de lá. 

PS: Essas recordações vieram à tona por conta da matéria abaixo:

http://followthecolours.com.br/just-coolt/9-livrarias-independentes-que-voce-precisa-descobrir-em-sp/



terça-feira, 30 de abril de 2013

Solidão



Solidão é o vagão
do Metrô completamente vazio
no infinito percurso
de 6 estações.

O silêncio se arrasta,
ao som das escadas rolantes.

domingo, 28 de abril de 2013


Black & White

Libertos de todas as amarras,
misturam
as flores,
as cores, e
das cores
saboreiam o prazer.

Amantes da loucura,
que guarda seus eternos segredos
Vida que aflora das minas
Minas de prazer e desassossego.

(julho/2005)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Viagens




Estou sentindo falta de escrever... E de ler. Não tenho conseguido fazer duas das coisas que mais gosto: ler literatura e escrever no blog. É como se ficasse um buraco no meu dia. As palavras me alimentam - ando em jejum ultimamente...
Em compensação tenho ido mais ao cinema. Tenho visto muita coisa boa e também muita coisa ruim. Aliás, tem um filme que está com 500 estrelinhas na cotação da crítica que me desgradou muito. Baseado em um livro de um escritor bem famoso, achei o  roteiro inconsistente. Tarefa ingrata a adaptação de livro pra filme - normalmente fica a desejar (execeção feita ao A insustentável leveza de ser, do qual já falei aqui).
Um dos filmes dessa nova safra de que mais gostei foi  "Uma longa viagem", com direção da Lúcia Murat e protagonizado pelo Caio Blat. Gostei da condução do filme, da atuação do Caio, da trilha, das experimentações, sem falar da fascinação que sinto pelo período em que a história acontece: a ditadura militar. Acho comovente a vontade de mudar o mundo (tenho um amigo que diz que eu quero consertar o mundo... talvez venha daí minha atração pela época em que se acreditava que isso era possível...).
O filme trata da trajetória da diretora e de seus dois irmãos, na década de 70. Seu irmão caçula foi enviado a Londres para não seguir os passos políticos da irmã, que havia se envolvido na luta armada. O fio condutor do filme é a intensa correspondência que ele troca com a família, durante os 9 anos em que passa viajando pelo mundo. A narrativa é entrecortada por entrevistas, feitas por Lúcia, ao irmão Heitor, o que nos dá ensejo de saber o que ele não contava nas cartas.
Enquanto Heitor viajava pelo mundo, a irmã era mantida na prisão. Anos depois, devido a carreira de cineasta, Lúcia visita os lugares por onde seu irmão passou. No filme tem uma frase ótima dela, que é mais ou menos assim: Eu e meu irmão nos encontramos no espaço, mas não no tempo.
E o outro irmão de Lúcia? Bem, ele é a razão do filme. Na verdade sua morte é o que leva a cineasta a recompor a trajetória dos três irmãos. No site, o filme é definido como "um documentário que trabalha sobre a memória, não só pela forma como é feita a investigação, mas também sobre o motivo do filme: a morte do terceiro irmão."
Mas não é um filme triste sobre morte, pelo contrário é um filme cheio de vida e sobre as inúmeras possibilidades que ela nos abre. É um filme sobre amizade, laços familiares, dor, liberdade, idealismo, loucura, política, memória...
É um filme sobre muitas coisas, principalmente sobre o ser humano.

PS: A foto foi retirada do site do filme, que vale uma visita:

http://www.taigafilmes.com/longaviagem/index.htm

PS': Como é bom quebrar o jejum e me alimentar das palavras escritas. Agora só falta ser fisgada pelo próximo livro...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fotos de SP

Já que não consigo escrever - e olha que não é por falta de assunto ou vontade - posto essas fotos, que tirei no último fim de semana, quando mostrei parte de SP para um amigo carioca.



Catedral da Sé


Estátua em frente ao Pátio do Colégio




Café Girondino, com o Mosteiro de S. Bento ao fundo




Interior do Café Girondino





Mosteiro de São Bento - fachada e vitral

terça-feira, 16 de novembro de 2010


como menino crescido
que vê o mar pela primeira vez
você se encanta

molhado de sal
se aquece ao sol tímido
que mais parece de outono

após o mergulho,
se deita para fazer uma espécie de fotossíntese metafísica -
o sol alimenta sua alma

sob o sol,
seu beijos ficam mais quentes

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Férias



As férias acabaram de acabar e eu já estou querendo mais!!!!! Certo está um amigo, ao me chamar de gulosa!!

Gulodices à parte, minhas férias foram ótimas! Além de rever os queridos amigos cariocas, conheci quatro cidades do Piauí (Piripiri, Pedro II, Parnaíba e Luís Correa) e uma do Ceará (Jericoacoara).

Os lugares são lindos, com paisagens deslumbrantes e pessoas super acolhedoras. Fiz algumas amizades nesse período que, creio, ficarão para sempre.

Visitei dois parques nacionais completamente diferentes: o das Sete Cidades e o de Jeri. Ambos de uma beleza cativante.

Descobri que além do Brasil, a lapidação da opala só é feita na Austrália e mesmo assim as pedras não têm a mesma qualidade que as nossas. (Morri de vontade de comprar um mooonte de opalas!!! Mas contive meu ímpeto consumista! rsrs)

Visitei o Delta do Rio Parnaíba, uma formação rara que só existe em três países: Brasil (no Piauí), Vietnã (Rio Mekong) e Egito (Rio Nilo). Num dos cincos braços do Parnaíba, vi até jacaré!!

Me encantei com a fragilidade de um cavalo marinho grávido (isso mesmo, nessa espécie são os machos que ficam grávidos e cuidam dos filhotes! Interessante, não?!?)

Fiquei intrigada com as inscrições rupestres - nunca havia visto tantas e tão diversas!!

Comi muuuito peixe e caranguejo e matei a vontade de patinhas de caranguejo, que adoroooo!!
Me apaixonei pela sapoti, fruta da região com um sabor leve e adocicado. Hummm, pena que aqui não tem!! (Vou procurar no mercado central, não é possivel que não ache!!).

Conferi o rico artesanato local - com bolsas de palha de carnaúba, entalhes em madeira, renda de bilro, trabalhos de pintura...

Nadei em lagoas de águas límpidas e refrescantes.

Presenciei algumas vezes o sol se pondo de uma forma tão arrebatadoramente linda que me comovi.
Enquanto o sol se punha, sempre agradecia a Deus pela vida, pela infinita beleza que há no mundo e pela oportunidade de viajar pra lugares tão sensacionais.
PS: A foto é minha e foi tirada na Praia do Atalaia, em Luís Correa/PI


terça-feira, 11 de maio de 2010

Água

Quem me conhece sabe que gosto muuuuito de água!!

Uma vez, uns companheiros de viagem me apelidaram de "peixa", porque bastava o barco parar pra eu cair na água.

Pois bem, como já contei aqui, recentemente fiz duas cirurgias. Como pontos abertos não combinam com água - seja de banheira, piscina, mar, rio ou cachoeira -, fiquei um tempo de molho (acho que essa não é a melhor palavra, porque no meu caso o "molho" era fora d'água, mas tudo bem...)

Em abril, voltei às minhas aulas de hidroginástica - que delícia!! Além do contato com a água, um grande prazer foi perceber que tudo passa e que a vida estava retomando seu curso.

Mas, prazer maior tive no sábado passado. Depois de zerar minha lista de afazeres (só isso já é um prazer e tanto, pois normamente essas listas nunca são zeradas!!), fui a piscina do clube que frequento.

Que maravilha!!! Como estava friozinho, a piscina estava praticamente vazia - só havia um rapaz, muito compenetrado em melhorar seu tempo.

Entrei na água morna e me deixei abraçar... Sensação boa, de aconchego, de liberdade, de relaxamento, de calamaria, de bem estar, de quietude na alma...

Depois de um breve aquecimento, comecei a nadar.

(Meu compenetrado vizinho de raia diria que eu comecei a brincar! Depois de tanto tempo parada, meu condicionamento não está lá essas coisas, mas como não vou participar de nenhuma competição, estava achando ótimo!)

Fiquei um tempo de lá pra cá, ora na superfície, ora no"chão" da piscina. Quando me cansei, fui para o raso e me alonguei.

O silêncio era quase total - só se ouvia o som das "viradas" do nadador ao lado.

Encostei a cabeça na borda da piscina, estiquei o corpo e relaxei tão completamente que quase adormeci! Aproveitei aquele momento pra aquietar minha mente, primeiro prestando atenção na minha respiração e na sensação boa da água! Depois, não prestei atenção em mais nada.

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas foram alguns bons e revigorantes minutos.

Fui acordada do "transe" por um ávido mergulhador. Ele me lembrou que da minha lista de afazares ainda constava uma tarefa e eu precisaria ir embora daquele retiro aquático, antes que me atrasasse.

Dei graças a Deus pelo inverno, que deixa as piscinas vazias de gente e plenas de paz.




quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

cais escuro




mal iluminado por parcas luzes amarelas
barcos descansando
suaves movimentos no manto negro
claridade na aurora noturna
biombo de montanhas esconde sua nudez