quarta-feira, 23 de março de 2011

Vocês conhecem a Revista Pessoa? Eu conheci porque trabalho no mesmo lugar que o marido da editora.
Não circula por aí, dando sopa, o que é uma pena. Mas é possível se ter uma ideia de sua proposta pelo site - http://www.revistapessoa.com/
È uma revista de literatura lusófona, o que muito tem me interessado ultimamente.
No último número que me chegou às mãos, em cuja capa belíssima está a frase "Ler rompe muros", li e me comovi com o seguinte poema, do português Helder Macedo:
"Tive uma amiga que ambicionava escrever
poemas de silêncio
trabalhou muito até que conseguiu
organizar numa mesa de vidro transparente
doze folhas brancas de papel branco
com uma joia em cima de cada uma
para cada amigo receber
o seu poema de silêncio
quando fosse encontrada no robe branco
da morte branca que oferecia
Cheguei a tempo de salvá-la
fizeram-lhe a lavagem no estômago
não me perdoou a alma mal lavada
nunca mais nos vimos
viaja agora de país em país
sem joias sem poemas sem amigos
e telefona-me às vezes depois da meia-noite
quando o silêncio raspa o vidro da janela"
(Obs: pena não conseguir reproduzir a diagramação que está na revista. espero que me perdoem por isso)
quarta-feira, 2 de março de 2011
"O amor deixará de variar se for firme,
mas não deixará de tresvariar se é amor"
(Frase do Padre Vieira, no livro A disciplina do amor, da Lygia Fagundes Telles)
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Vogt
Dias desses estava eu no trabalho, quando meu chefe perguntou se eu conhecia o Carlos Vogt. Claro que conhecia, li diversos textos dele na faculdade!!!
Mas o livro que meu chefe trazia consigo me era desconhecido: um volume de "Poesia Reunida", que, como o nome sugere, é uma coletânia de poemas.
Nem precisa dizer que devorei o livro em dois minutos!!
E, por pura coincidência, naquele mesmo dia meu chefe me apresentou ao Vogt, que estava almoçando no mesmo lugar que nós.
Eis alguns poemas do livro:
Falamos tudo e ainda
há o que
silenciar
&
Paisagem Doméstica
Desavenças de caso
secam avencas
nos vasos
&
Decreto
A vida
- como o contrário -
não pode ser impedimento
para viver
salvo
disposições em contrato
&
Autópsia
(à maneira de Antero, Augusto
e outros anjos realistas)
Tiro-me a roupa
a carteira
os documentos
rasgo-me o peito
o ventre
os sentimentos
abro-me a pele
em frestas
para o avesso
devassa inútil:
dentro
por sobre a mesa
sólida
verte-se em sangue
só
cheia de dor
a mesma subjetividade
episódica
&
Otimismo
Nós dois jamais fracassamos juntos
sempre apostamos no certo
na hora errada
chegamos perto
&
Nova Freudiana
A TV para quem
tem fome:
- Desliga-me,
ou me consome.
&
Mimese
Se a vida imita a arte
como punir
o plágio da existência?
&
Comboio
Num ponto você tem razão:
a corda bamba da tristeza
sempre quebra
do lado do coração
&
Ensaio sobre o dom
Pelos olhos da exatidão
perdeu-se o que era dádiva.
&
A imagem substitui
o texto mas
não tem
como contar-se
sem contexto
&
Habilidade romântica
A lua roubar
sem
tirá-la do lugar
&
Tópicas
Heróis são
metáforas
de si mesmos
vilões são
sinédoques
dos outros
ser comum
só
tem sentido
figurado
Mas o livro que meu chefe trazia consigo me era desconhecido: um volume de "Poesia Reunida", que, como o nome sugere, é uma coletânia de poemas.
Nem precisa dizer que devorei o livro em dois minutos!!
E, por pura coincidência, naquele mesmo dia meu chefe me apresentou ao Vogt, que estava almoçando no mesmo lugar que nós.
Eis alguns poemas do livro:
Falamos tudo e ainda
há o que
silenciar
&
Paisagem Doméstica
Desavenças de caso
secam avencas
nos vasos
&
Decreto
A vida
- como o contrário -
não pode ser impedimento
para viver
salvo
disposições em contrato
&
Autópsia
(à maneira de Antero, Augusto
e outros anjos realistas)
Tiro-me a roupa
a carteira
os documentos
rasgo-me o peito
o ventre
os sentimentos
abro-me a pele
em frestas
para o avesso
devassa inútil:
dentro
por sobre a mesa
sólida
verte-se em sangue
só
cheia de dor
a mesma subjetividade
episódica
&
Otimismo
Nós dois jamais fracassamos juntos
sempre apostamos no certo
na hora errada
chegamos perto
&
Nova Freudiana
A TV para quem
tem fome:
- Desliga-me,
ou me consome.
&
Mimese
Se a vida imita a arte
como punir
o plágio da existência?
&
Comboio
Num ponto você tem razão:
a corda bamba da tristeza
sempre quebra
do lado do coração
&
Ensaio sobre o dom
Pelos olhos da exatidão
perdeu-se o que era dádiva.
&
A imagem substitui
o texto mas
não tem
como contar-se
sem contexto
&
Habilidade romântica
A lua roubar
sem
tirá-la do lugar
&
Tópicas
Heróis são
metáforas
de si mesmos
vilões são
sinédoques
dos outros
ser comum
só
tem sentido
figurado
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Faz tempo........
Ando meio sumida, né? Pois é, tem muita coisa acontecendo, por isso estou com muito pouco tempo livre e com muitas coisas na cabeça - não paro de pensar nem quando durmo, os sonhos estão aí pra comprovar o que digo!
Ultimamente minha cabeça vem sendo assolada por pensamentos "práticos" - tenho que fazer tal coisa, tenho que ir ao banco, tenho que resolver esse problema burocrático, tenho que ir ao supermemrcado e mais um monte de outros "tenhos que".
Além das questões do cotidiano, esse período tem sido de muitas decisões. Vislumbro muitas mudanças em minha vida. E pra saber qual o melhor caminho a seguir, é preciso analisar - o que leva tempo e agita a alma.
Quando é assim, não consigo escrever. Não porque falte assunto ou porque o tempo é escasso (apesar de realmente o ser), mas porque falta tranquilidade. Não sei se acontece com todo mundo que escreve, mas se eu não tenho tranquilidade, não consigo escrever. Escrever é uma espécie de lapidação, requer tempo e concentração. Se não estou serena, não consigo me concentrar.
Contudo, esses dias, quando bateu uma saudade do blog, eu estava pensando que escrever me acalma e ajuda a botar as ideias no lugar.
Por isso aqui estou, de volta ao achonchego das palavras.
Ultimamente minha cabeça vem sendo assolada por pensamentos "práticos" - tenho que fazer tal coisa, tenho que ir ao banco, tenho que resolver esse problema burocrático, tenho que ir ao supermemrcado e mais um monte de outros "tenhos que".
Além das questões do cotidiano, esse período tem sido de muitas decisões. Vislumbro muitas mudanças em minha vida. E pra saber qual o melhor caminho a seguir, é preciso analisar - o que leva tempo e agita a alma.
Quando é assim, não consigo escrever. Não porque falte assunto ou porque o tempo é escasso (apesar de realmente o ser), mas porque falta tranquilidade. Não sei se acontece com todo mundo que escreve, mas se eu não tenho tranquilidade, não consigo escrever. Escrever é uma espécie de lapidação, requer tempo e concentração. Se não estou serena, não consigo me concentrar.
Contudo, esses dias, quando bateu uma saudade do blog, eu estava pensando que escrever me acalma e ajuda a botar as ideias no lugar.
Por isso aqui estou, de volta ao achonchego das palavras.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Belas Artes
Hoje, após minha caminhada de 1 hora, que espero se torne habitual em 2011, entro no carro, ligo o rádio (esse hábito, mais fácil, já incorporei!) e me dirijo ao trabalho.
Quando estava quase chegando, ouço uma notícia que muito me entristece: o Belas Artes vai fechar.
Fico muito surpresa, porque achei que o perigo já havia passado. Sabia que o André Sturm, proprietário do cinema, havia acertado um novo patrocínio com o HSBC.
Não sei o que aconteceu, mas notícias na imprensa dão conta de que o proprietário do prédio pediu o imóvel e pretende abrir uma loja no lugar do cinema. Parece que mais uma vez o consumo se impõe.
O Belas Artes foi um dos responsáveis pela minha paixão por cinema (falo dele como se fosse uma pessoa, pois é assim que sinto. É como se tivesse perdendo um amigo de longa data). Talvez tenha sido o principal responsável.
Lembro que, em meados da década de 80, eu namorava um rapaz que trabalhava ali pertinho, na Av. Paulista. Um de nossos programas preferidos era ir ao Belas Artes. Muitas vezes nem sabíamos bem o que estava passando, mas tínhamos certeza de que um bom filme esperava por nós.
Lembro também de encontrar com o pessoal da faculdade no Riviera, bar em frente ao Belas Artes, pra irmos juntos ao cinema. Enquanto esperávamos a turma chegar, bebíamos uma cerveja e resolvíamos todos os problemas da humanidade.
Eu adorava aquele pedaço, me sentia em casa, ficava olhando os livros usados nas bancas da esquina da Consolação com a Paulista. De tanto passar por lá, fiz amizade com os livreiros, que conseguiam pra mim qualquer livro, mesmo que estivesse esgotado ou fosse raríssimo.
Outra lembrança saborosa era o café do Fran's. Na verdade mais o aroma do café do que o gosto, pois naquela época praticamente não bebia café puro - mas me acabava no capuccino. Era muito comum sair do cinema e ir ao Fran's, que naquela época era um dos poucos lugares que ficava aberto madrugada adentro.
A última delícia do Belas Artes era o Noitão - uma sequência de três filmes, sendo o primeiro, que começava à meia-noite, uma pré-estreia e o último uma surpresa (não era divulgado qual filme seria exibido).
Sei que sentirei muitas saudades do Belas Artes, sei que sentirei um aperto no coração quando passar por ali e não o vir, sei também que nunca mais vou ter a mesma sensação que tinha ao ir às salas do Bela Artes.
Assim como o Riviera, o Belas Artes também ficará só na memória e na saudade
Quando estava quase chegando, ouço uma notícia que muito me entristece: o Belas Artes vai fechar.
Fico muito surpresa, porque achei que o perigo já havia passado. Sabia que o André Sturm, proprietário do cinema, havia acertado um novo patrocínio com o HSBC.
Não sei o que aconteceu, mas notícias na imprensa dão conta de que o proprietário do prédio pediu o imóvel e pretende abrir uma loja no lugar do cinema. Parece que mais uma vez o consumo se impõe.
O Belas Artes foi um dos responsáveis pela minha paixão por cinema (falo dele como se fosse uma pessoa, pois é assim que sinto. É como se tivesse perdendo um amigo de longa data). Talvez tenha sido o principal responsável.
Lembro que, em meados da década de 80, eu namorava um rapaz que trabalhava ali pertinho, na Av. Paulista. Um de nossos programas preferidos era ir ao Belas Artes. Muitas vezes nem sabíamos bem o que estava passando, mas tínhamos certeza de que um bom filme esperava por nós.
Lembro também de encontrar com o pessoal da faculdade no Riviera, bar em frente ao Belas Artes, pra irmos juntos ao cinema. Enquanto esperávamos a turma chegar, bebíamos uma cerveja e resolvíamos todos os problemas da humanidade.
Eu adorava aquele pedaço, me sentia em casa, ficava olhando os livros usados nas bancas da esquina da Consolação com a Paulista. De tanto passar por lá, fiz amizade com os livreiros, que conseguiam pra mim qualquer livro, mesmo que estivesse esgotado ou fosse raríssimo.
Outra lembrança saborosa era o café do Fran's. Na verdade mais o aroma do café do que o gosto, pois naquela época praticamente não bebia café puro - mas me acabava no capuccino. Era muito comum sair do cinema e ir ao Fran's, que naquela época era um dos poucos lugares que ficava aberto madrugada adentro.
A última delícia do Belas Artes era o Noitão - uma sequência de três filmes, sendo o primeiro, que começava à meia-noite, uma pré-estreia e o último uma surpresa (não era divulgado qual filme seria exibido).
Sei que sentirei muitas saudades do Belas Artes, sei que sentirei um aperto no coração quando passar por ali e não o vir, sei também que nunca mais vou ter a mesma sensação que tinha ao ir às salas do Bela Artes.
Assim como o Riviera, o Belas Artes também ficará só na memória e na saudade
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Milagrário Pessoal

Ontem acabei de ler o tão esperado Milagrário Pessoal, do Agualusa.
Hoje tive vontade de começar a releitura; só não o fiz porque preciso entregar o livro à minha irmã, pra que ela faça a dedicatória no presente.
Mas assim que o receber de volta, vou reler!! Nem preciso dizer que adorei!!
Vou transcrever uma pequena parte do livro, na verdade sua epígrafe, que é fundamental à história.
Não escolhi essa parte por ser a que mais gostei. Se esse fosse o critério, creio que pelo menos 70% do livro teria que ser transcrito!
Escolhi esse trecho porque adorei a ideia de que herdamos nossa língua dos pássaros!! Me parece tão subversivo e absolutamente poético, afinal o canto das aves é belíssimo e sempre nos encanta!! E essa ideia me encantou!!
Não entendeu? Então, leia a epígrafe do Agualusa e, se possível, o livro também:
"No princípio os homens não falavam. Nenhum animal falava, exceto os pássaros. Havia um saco com palavras que estava à guarda da Andua*. Foi então que apareceu um rapaz com um único braço, uma única perna e só metade da cabeça. O rapaz roubou o saco das palavras, abriu o saco e meteu as palavras à boca. Na manhã seguinte, quando despertou, era uma pessoa inteira, mas metade rapaz e metade rapariga. Além disso falava, e sua língua era ágil e harmoniosa como a dos pássaros." (De um conto tradicional ovimbundo**, em Seleção de contos, provérbios e adivinhas em umbundo***, de Jeremias Capitango)
* andua - ave azul, semelhante ao papagaio
** ovimbundo - povo que vive ao sul de Cuanza, sobretudo no planalto de Benguela, em Angola.
*** umbundo - língua falada pelos ovimbundos
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Turbinada

Segunda-feira passada, minha irmã me apresentou a um novo CD do Zeca Baleiro - Trilhas: música para cinema e dança.
Acho o Zeca genial, simpático, super bem humorado e de uma sensibilidade incontestável. Sempre presto atenção às letras dele. Já tinha ouvido umas músicas desse CD no rádio, mas me diverti muitíssimo com uma que ouvi naquele dia. Ei-la:
Turbinada
Ela fez dezessete pequenos reparos
No lóbulo da orelha
Extraiu as rugas pés-de-galinha
Que a deixavam mais velha
Ela botou botox sorriso inox
Que eu paguei em doze suaves prestações
250 ml de silicone em cada peito
Ficaram no jeito dois belos melões
Tirou um par de indesejáveis costelas
Ficou com a cintura fina cinturinha de pilão
Malha como louca não marca touca
Ela tá sarada turbinada processada envenenada
Um mulherão
Ela ficou uma máquina
Ela ficou uma máquina
Mas tudo que eu queria tudo que eu queria
Tudo que eu queria mesmo era uma mulher
Ela fez lipo agora faz tipo
Desfila com suas nádegas durinhas no calçadão
Ela fez peeling e só tem feeling
Pras coisas que podem deixá-la mais bela magrela
Cinderela sem paixão
Frutinha vermelha

Quando eu tinha uns 3 ou 4 anos, falei pra minha mãe que eu estava com vontade de comer uma frutinha vermelha (eu até hoje sou cheia das vontades de comer isso ou aquilo!).
Mamãe, zelosa como sempre, pediu mais informações pra saber que frutinha era aquela.
- Ah, mamãe, é um frutinha pequena assim ó, vermelhinha...
Como isso não dizia muito, ela foi por tentativa e erro. Trouxe primeiro morango, a mais óbvia, mas não era.
Depois vieram: ameixa, framboesa, amora, cereja, até uva e figo, que nem são assim tão vermelhas.
Eu me esbaldava com todas, mas continuava com a vontade da tal frutinha vermelha.
Mamãe sempre pedia ao feirante, nosso amigo: se você encontrar uma fruta vermelha e pequena, traga pra mim, por favor.
Sei que meses se passaram em busca da fruta perdida, mas tudo em vão.
Até que todos esqueram da história. Todos, menos eu! Meus desejos são teimosos, não vão embora enquanto não são saciados.
Num belo dia, estava a pé, indo não sei onde com minha mãe, quando falei:
- Olha lá a frutinha vermelha!!
Minha mãe não entendeu nada, devia estar preocupada com os afazeres do dia:
- O quê??
- É aquela frutinha que eu quero! - disse, apontando para um pé de romã.
- Mas ela não é vermelha!! Você disse que era vermelhinha!!
- É vermelha, sim, mãe!! Por dentro é bem vermelhinha!!!
Minha mãe, resignada, tocou a campainha da casa e meio constrangida pediu uma romã, que eu comi como se tivesse vindo direto do Olimpo!
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Leminski, again and forever
Esses dias estava relendo o Leminski.
Eis os meus preferidos daquele dia (pois isso muda conforme meu humor):
dia
dai-me a sabedoria de caetano
nunca ler jornais
a loucura de gláuber
tem sempre uma cabeça cortada a mais
a fúria de décio
nunca fazer versinhos normais
(eu pediria também a criatividade de leminski...)
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
Transar bem todas as ondas
a Papai do Céu pertence,
fazer luas redondas
ou me nascer paranaense.
A nós, gente, só foi dada
essa maldita capacidade,
transformar amor em nada.
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
o amor, esse sufoco,
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro
ah, troço louco,
corações trocando rosas,
e socos
Eis os meus preferidos daquele dia (pois isso muda conforme meu humor):
dia
dai-me a sabedoria de caetano
nunca ler jornais
a loucura de gláuber
tem sempre uma cabeça cortada a mais
a fúria de décio
nunca fazer versinhos normais
(eu pediria também a criatividade de leminski...)
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
Transar bem todas as ondas
a Papai do Céu pertence,
fazer luas redondas
ou me nascer paranaense.
A nós, gente, só foi dada
essa maldita capacidade,
transformar amor em nada.
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
o amor, esse sufoco,
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro
ah, troço louco,
corações trocando rosas,
e socos
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