Por que "clepsidro-me"?!?!

Leia a primeira postagem e descubra!!! (clique aqui)







segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Rubem Alves

Ontem, estava lendo o Rubem Alves. O nome do livro é "Desfiz 75 anos".
Acho que é seu livro mais recente - ia escrever último livro, mas quero que ele esccreva muitos mais!!

"É inútil viajar para outros lugares se não conseguimos desembarcar de nós mesmos" (p.12)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Muito pouco

Esses dias me lembrei dessa música, do Paulinho Moska

As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida trás
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero (mais)


Paulinho Moska - Muito Pouco

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Com suas mãos,

você me eleva às alturas,

onde pesco uma estrela intensa

para retribuir o brilho

que você depositou em mim

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Poema emprestado

Quero crescer muito pra preencher seu vazio

Quero ser água pra matar sua sede

Quero criar asas pra voar pra longe,
quando você não me quiser por perto

Quero aguçar os sentidos pra saber
quando voltar e te dar colo.
Você me lê lua
Você me nina nua
Você me tem tua

Pra você,
eu me clepsidro,
despudoradamente...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"Amamos os símbolos que vemos escritos nalguma parte do corpo da pessoa amada. O amor pertence à ordem da poesia."



Cantos do Pássaro Encantado - Rubem Alves
"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue"

(Mania de Explicação - Adriana Falcão)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pássaro

Pássaro com a asa machucada
Alça voo -
Feliz, por estar voando, e
Dolorido, por ter sido ferido.

A ferida latejante,
escondida nas penas imponentes,
impede a plenitude do voo.

Que encontre o bálsamo
aliviador
apaziquante

suave
doce
terno


E alcance a plenitude.

Saudades

Hoje me contaram uma história.
Me emocionei.

Um menino estava em fase terminal de uma doença grave.
Ele sabia que ia morrer.
Conversando com sua mãe, disse:
- Sei que você vai sentir saudades.

Mas a saudades é o amor que fica.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011



Tristeza é uma mão gigante

que aperta seu coração





(Adriana Falcão - Mania de Explicação)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011



"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"



José Saramago






Será que eu sei fazer isso?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Trancar num cofre?

Hoje meu chefe me mostrou um trechinho de um poema do Antônio Cícero, poeta carioca, que tem tudo a ver com o que penso:


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.


Em cofre não se guarda coisa alguma.


Em cofre perde-se a coisa de vista.




Guardar uma coisas é olhá-la, fitá-la, mirá-la por


Admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Oswald de Andrade




























Ontem deu vontade de reler o Oswald de Andrade e hoje, de compartilhar uns poemas dele, do livro chamado Pau-Brasil, de 1925:




ESCAPULÁRIO


No Pão de Açúcar

De cada dia

Dai-nos Senhor

A poesia

De cada dia





3 DE MAIO


Aprendi com meu filho de dez anos

Que a poesia é a descoberta

Das coisas que eu nunca vi




SOL



Uma vez fui a Guará

A Guaratingueta

E agora

Nesta hora de minha vida

Tenho uma vontade vadia

Como um fotógrafo





III


Granada é triste sem ti


Apesar do sol de ouro

E das rosas vermelhas



V



Que alegria teu rádio

Fiquei tão contente

Que fui à missa


Na igreja toda gente me olhava

Ando desperdiçando beleza

Longe de ti





VI



Que distância!

Não choro

Porque meus olhos ficam feios




E uns do livro Primeiro Caderno de Poesias do Aluno Oswald de Andrade, de 1927:




OFERTA



Quem sabe

Se algum dia

Traria


O elevador

Até aqui

O teu amor



AMOR

Humor




BALADA DO ESPLANADA

Ontem à noite

Eu procurei

Ver se aprendia

Como é que se fazia

Uma balada

Antes de ir

Pro meu hotel


É que este

Coração

Já se cansou

De viver só

E quer então


Morar contigo

No Esplanada




Eu qu'ria


Poder


Encher


Este papel


De versos lindos


É tão distinto


Ser menestrel



No futuro


As gerações


Que passariam


Diriam


É o hotel


Do menestrel




Pra m'inspirar


Abro a janela


Como um jornal


Vou fazer


A balada


Do Esplanada


E ficar sendo


O menestrel


Do meu hotel


Mas não há poesia


Num hotel


Mesmo sendo


'Splanada


Ou Grand-Hotel



Há poesia


Na dor


Na flor


No beija-flor


No elevador



PS: Os quadros são da Tarsila do Amaral, esposa do Oswald. Em um, que desconheço o nome (acho que não tem), ela retrata o marido e o outro chama-se Abaporu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011





Erótica é a alma



Adélia Prado

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os Nerys
















Ontem à noite, enquanto arrumava uns livros, me deparei com um folheto de uma exposição do Ismael Nery, à qual fui em 2000, na FAAP (nossa, como guardo coisa!!).



Por coincidência, outubro é o mês de aniversário dele, que nasceu em 09/10/1900. Ismael foi pintor, desenhista e poeta bissexto, assim chamado porque não escrevia com regularidade.



Ele foi casado com Adalgisa Nery, jornalista e poetisa. E esse post nasceu por causa dela: no meio dos meus livros encontrei o tal folheto, no qual estava escrito, com minha letra apressada, um poema dela, que transcrevo abaixo.



Pra não ser injusta com o Ismael, coloco também um poema dele e uns quadros.







Teoria do Zero - Adaligisa Nery






O desejo que absorve dois corpos


E por instantes funde-os na unidade


Sentimentos com a força das marés vazantes


Baixam às próximas marés enchentes


Dois corpos abadonados, flutuando


No oceano aberto





Poema para ela - Ismael Nery


Acabaram-se os tempos.


Morreram as árvores e os homens.


Destruiram-se as casas.


Submergiram-se as montanhas.


Depois o mar desapareceu.


O mundo transformou-se numa enorme planície.


Onde só existe areia e uma tristeza infinita.


Um anjo sobrevoa os destroços da terra,


Olhando a coléra de um Deus ofendido.


E encontrou nossos dois corpos fortemente enlaçados


Que a raiva do Senhor não quis destruir


Para a eterna lembrança do amor maior.





PS: Os quadros são um autorretrato, um retrato da Adalgisa (por último) e o outro não sei se tem título.