Hoje me contaram uma história.
Me emocionei.
Um menino estava em fase terminal de uma doença grave.
Ele sabia que ia morrer.
Conversando com sua mãe, disse:
- Sei que você vai sentir saudades.
Mas a saudades é o amor que fica.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Trancar num cofre?
Hoje meu chefe me mostrou um trechinho de um poema do Antônio Cícero, poeta carioca, que tem tudo a ver com o que penso:
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa de vista.
Guardar uma coisas é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
Admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Oswald de Andrade


Ontem deu vontade de reler o Oswald de Andrade e hoje, de compartilhar uns poemas dele, do livro chamado Pau-Brasil, de 1925:
ESCAPULÁRIO
No Pão de Açúcar
De cada dia
Dai-nos Senhor
A poesia
De cada dia
3 DE MAIO
Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi
SOL
Uma vez fui a Guará
A Guaratingueta
E agora
Nesta hora de minha vida
Tenho uma vontade vadia
Como um fotógrafo
III
Granada é triste sem ti
Apesar do sol de ouro
E das rosas vermelhas
V
Que alegria teu rádio
Fiquei tão contente
Que fui à missa
Na igreja toda gente me olhava
Ando desperdiçando beleza
Longe de ti
VI
Que distância!
Não choro
Porque meus olhos ficam feios
E uns do livro Primeiro Caderno de Poesias do Aluno Oswald de Andrade, de 1927:
OFERTA
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
AMOR
Humor
BALADA DO ESPLANADA
Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel
É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada
Eu qu'ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel
No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel
Pra m'inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
Do meu hotel
Mas não há poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel
Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
PS: Os quadros são da Tarsila do Amaral, esposa do Oswald. Em um, que desconheço o nome (acho que não tem), ela retrata o marido e o outro chama-se Abaporu.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Os Nerys



Ontem à noite, enquanto arrumava uns livros, me deparei com um folheto de uma exposição do Ismael Nery, à qual fui em 2000, na FAAP (nossa, como guardo coisa!!).
Por coincidência, outubro é o mês de aniversário dele, que nasceu em 09/10/1900. Ismael foi pintor, desenhista e poeta bissexto, assim chamado porque não escrevia com regularidade.
Ele foi casado com Adalgisa Nery, jornalista e poetisa. E esse post nasceu por causa dela: no meio dos meus livros encontrei o tal folheto, no qual estava escrito, com minha letra apressada, um poema dela, que transcrevo abaixo.
Pra não ser injusta com o Ismael, coloco também um poema dele e uns quadros.
Teoria do Zero - Adaligisa Nery
O desejo que absorve dois corpos
E por instantes funde-os na unidade
Sentimentos com a força das marés vazantes
Baixam às próximas marés enchentes
Dois corpos abadonados, flutuando
No oceano aberto
Poema para ela - Ismael Nery
Acabaram-se os tempos.
Morreram as árvores e os homens.
Destruiram-se as casas.
Submergiram-se as montanhas.
Depois o mar desapareceu.
O mundo transformou-se numa enorme planície.
Onde só existe areia e uma tristeza infinita.
Um anjo sobrevoa os destroços da terra,
Olhando a coléra de um Deus ofendido.
E encontrou nossos dois corpos fortemente enlaçados
Que a raiva do Senhor não quis destruir
Para a eterna lembrança do amor maior.
PS: Os quadros são um autorretrato, um retrato da Adalgisa (por último) e o outro não sei se tem título.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Veja só quão irônica é a vida: desde que comecei o curso de pós em Mídias Digitais, não consegui mais tempo de escrever no blog - minha principal atividade digital!!
Tenho que, urgentemente, reorganizar a vida e voltar a escrever!! Afinal, pra mim escrever é essencial, me faz entender melhor o que penso e sinto.
Ahhh, tenho que achar tempo pra tantas coisas - virtuais e reais!
Tenho que, urgentemente, reorganizar a vida e voltar a escrever!! Afinal, pra mim escrever é essencial, me faz entender melhor o que penso e sinto.
Ahhh, tenho que achar tempo pra tantas coisas - virtuais e reais!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Filmes no fim de semana

Sábado fui ao cinema, acabei me empolgando e assisti a dois filmes - só não vi o terceiro porque os horários das sessões eram incompatíves. Tinha tempo que não fazia isso!!
Foram dois filmes com o Gérard Depardieu, que como sempre estava maravilhoso!
O primeiro foi o "Minhas Tardes com Margueritte", que quase me fez chorar no final. Mas não pensem que o filme é triste. Na verdade, ele tem lá seus momentos de tristeza, mas são muito bem suavizados pelo jeito bonachão do personagem principal, Germain.
O filme trata da amizade entre Germain (G. Depardieu) e Margueritte (Gisele Casadesus), uma simpática senhorinha. O que une os dois? Livros!
A doce Margueritte é uma apaixonada por livros e acaba seduzindo Germain, um boa praça meio brucutu, com suas leituras. Sedução no sentido mais puro que existe, o afeto entre eles é sincero e inocente.
O que Germain encontra em Margueritte é o que não encontra em sua mãe, com quem tem uma relação bastante tumultuada, desde a infância.
O filme tem cenas muitos tristes, como as humilhações sofridas por Germain, outras muito doces, como as belas palavras que ele diz a namorada após terem feito amor, e outras muito engraçadas, como a que ele devolve o dicionário com que Margueritte o havia presenteado porque não concordava com suas definições.
O outro filme foi "Potiche", com Depardieu e Catherine Deneuve, que está ótima. Essa história gira em torno da dona de casa que, por questões circunstanciais, assume a presidência da fábrica da família, inesperadamente se dá muito bem na empreitada e toma gosto pela coisa. Um filme que trata de coisas muito sérias de uma maneira leve e divertida. As relações familiares e sociais são expostas e, com elas, a hipocrisia da sociedade.
O filme de Ozon, embora muito diferente, me fez lembrar do Gil Vicente, que usava suas peças para expor a sociedade da época e tentar "educá-la".
Ozon ambienta seu filme no final da década de 70, mas temos a impressão de que a história e as questões que ela levanta são atualíssimas! Talvez esse seja o motivo de acharmos tão engraçadas algumas situações.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fazia muito tempo que não lia o Bandeira. Hoje reli. Eis um poema do livro Belo Belo:
O Rio
Ser como o rio que deflui
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, refletí-las
E se os céus se pejam de nuvens
Como o rio as nuvens são água,
Refletí-las também sem mágoas
Nas profundidades tranquilas
domingo, 17 de julho de 2011
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