Por que "clepsidro-me"?!?!

Leia a primeira postagem e descubra!!! (clique aqui)







segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Li hoje, com certo atraso, a coluna do Contardo Calligaris de quinta-feira, dia 16/08, e não posso deixar sem registro uma frase com a qual concordo inteiramente:

"Educar implica o risco de ser detestado - risco que um pai deve correr sem hesitação".

PS: O texto foi escrito por ocasião do Dia dos Pais e, creio eu, ser por isso que ele se refere apenas a pais, mas a frase bem pode ser estendida a qualquer que se entregue a tarefa de educar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012


"Este segundo pensamento lhe ocorria sobretudo à noite, no emaranhado caótico de imagens que precede o sono, quando a mente está demasiado debilitada para contar mentiras a si mesma"

A solidão dos números primos, de Paolo Giordano

terça-feira, 31 de julho de 2012

  
“Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia.
Capazes de causar grandes sofrimentos, e também de remediá-los.”

Alvo Dumbledore, diretor emérito da Escola de Bruxaria de Hogwarts

                                   Harry Potter - J. K. Rowling 
  


Não sou fã da série Harry Potter, vi só um filme e não li nenhum livro, mas várias pessoas já me disseram que deveria assistir aos filmes. Estão na lista de filmes, livros e lugares para degustar.
Então, se não sou fã, por que postei essa frase? Porque concordo com ela. Um amigo ma enviou ("ma enviou" é ataque de frescurice, mas vá lá) por email, cujo título era "sobre suas amigas, as palavras".
Concordo que as palavras são minhas amigas porque nelas sempre encontro refrigério, como se fossem um ombro amigo ou o colo de minha irmã. E porque sinto enorme prazer na companhia delas, especialmente quando escritas.
Dia desses estava dizendo que precisava "prazeirar" minha vida. Agora, escrevendo este post, me dei conta de que faz tempo que não leio nada arrebatador - os últimos livros têm sido raros e mornos.
Mas certamente isso vai mudar, vou resgatar velhos amigos, cuja leitura é sempre prazerosa.

"Sou capaz de colocar uma campanha publicitária no ar em três dias, mas não tem santo que faça o outono chegar um mês antes."

Mario Cohen
(ex-publicitário e atual produtor de azeitonas para fabricação de azeite)
Serafina - Ago/12

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Amizades líquidas ou porque meus amigos não são os do Facebook


Se você é meu amigo do Facebook (FB) e se ofendeu com título deste post, peço duas coisas: primeiro, sinceras desculpas, não pretendia ofendê-lo. Segundo, que leia este texto até o fim para que compreenda minha afirmação e, assim, quem sabe, me perdoe.

Em minha defesa tenho a dizer que meus amigos “de verdade” (reais, dos quais eu conheço o rosto, a voz, as qualidades e os defeitos) também estão na lista de “amigos” virtuais. Contudo o inverso não é verdadeiro.

Antigamente, fazíamos uma distinção clara entre “colegas” e “amigos”. Colega era aquele com quem se mantinha uma relação superficial. Já amigo era uma pessoa próxima, que frequentava sua casa e com quem você mantinha uma relação de companheirismo. Quando morei no Rio de Janeiro, brincava com os cariocas que eles poderiam se considerar amigo de um paulista quando fossem convidados para ir a casa dele.

Andei pensando essas coisas desde que entrei nas redes sociais, mas nunca parei para refletir sobre elas como o fiz nesses últimos tempos. Se você acompanha meu Facebook pode achá-lo meio desinteressante porque não posto lá muitas coisas: nunca tive vontade de compartilhar minha dor de dente, meu presente dos Dias dos Namorados ou minhas fotos do churrasco de domingo.

Não compartilho muitas coisas porque não consigo entender o interesse que despertariam nos outros (a menos que seja um interesse impertinente e despropositado pela vida alheia) e outras não são postadas porque devem ser compartilhadas com pessoas especiais e não com o “planeta”.

E por que essas questões resolveram me assaltar ultimamente? Por que comecei a ler um livro - Gadget: você não é um aplicativo - que questiona, entre outras coisas, o papel do indivíduo no mundo digital e afirma que os indivíduos estão cada vez mais despersonalizados.

Isso me fez lembrar do Bauman, que diz que hoje temos uma vida líquida, na qual a volatilidade das relações é um imperativo. As relações afetivas são um espelho disso; e os “colegas” do FB, um exemplo contumaz.

Hoje é muito comum termos muitos “colegas” no FB, que ingenuamente chamamos de amigos. A noção de amizade está cada vez mais líquida...

E o que Bauman quer dizer com esse termo? Ele opõe o termo a “sólido”. Para o sólido é mais difícil conformar-se (assumir uma forma que não é a sua). Por outro lado, o líquido, além de se amoldar com muita facilidade, derrama-se por todo o espaço, mas não se apropria dele.

Sob esse aspecto, as amizades virtuais são bastante líquidas. Na minha “time line” passam com muita fluidez meus “amigos” que, assim como a água, me escapam. Suas histórias são rapidamente substituídas sem que eu tenha tempo de assimilá-las, de sedimentá-las. Elas são prontamente “consumidas” e substituídas, conforme a rapidez que a sociedade de consumo exige. Nós “fingimos” participar da vida de nossos “amigos” e compartilhar suas histórias, aderindo à lógica do simulacro, tão bem discutida por Baudrillard.

Na sociedade de liquidez, simulacro e consumo, o “eu” se despersonaliza e, consequentemente, pasteuriza sua relação com o outro.

Entendeu agora porque faço questão de diferenciar os amigos? Amigo é valioso demais para se deixar evaporar...


PS: Esse texto foi produzido para a avaliação final de uma das disciplinas de meu curso de pós sobre Mídias Digitais.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Casamento

Por conta de um vídeo postado no Facebook, essses dias estava "discutindo" com uns amigos - a maioria músicos - sobre a mulher fazer a base pros namorados músicos. Claro que a discussão caiu no tema "machismo" (base, no jargão musical é cozinha). Muitos comentários a respeito: alguns indignados e outros de apoio.
Como disse lá no Face, acho essa discussão meio ultrapassada. Será que a gente não aprendeu ainda que nas relações, inclusive as amorosas, cada hora um faz a base pro outro? Se eu não apoiar as pessoas a quem amo e não receber apoio delas, de que serve a relação? Só pra horas boas? Isso me parece bem superficial. Já diz lá em Eclesiastes 4: "Melhor é serem dois do que um, porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante."
Esse papo de machismo e feminismo me fez lembrar de um poema belíssimo da Adélia Prado, cujo título é Casamento.


Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Acho esse texto lindíssimo pela cumplicidade do casal nas coisas simples do dia a dia. Na minha opinião, esse é o grande segredo de todo relacionamento.
E, a menos que eu esteja vendo coisas, esse é um texto de uma sensualidade penetrante, o que me leva a crer que a cumplicidade faz espocar o erotismo...


PS: o Aurélio traz como sentido figurado de espocar:  desabotoar impetuosamente. Sugestivo, não?   ;)

PS: Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.




sábado, 2 de junho de 2012

"Mas existe verdadeiramente outro rumo? Na verdade, existe a direção que tomamos. O que poderia ter sido já não conta."
Mario Benedetti, em Quem de nós

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Viagens




Estou sentindo falta de escrever... E de ler. Não tenho conseguido fazer duas das coisas que mais gosto: ler literatura e escrever no blog. É como se ficasse um buraco no meu dia. As palavras me alimentam - ando em jejum ultimamente...
Em compensação tenho ido mais ao cinema. Tenho visto muita coisa boa e também muita coisa ruim. Aliás, tem um filme que está com 500 estrelinhas na cotação da crítica que me desgradou muito. Baseado em um livro de um escritor bem famoso, achei o  roteiro inconsistente. Tarefa ingrata a adaptação de livro pra filme - normalmente fica a desejar (execeção feita ao A insustentável leveza de ser, do qual já falei aqui).
Um dos filmes dessa nova safra de que mais gostei foi  "Uma longa viagem", com direção da Lúcia Murat e protagonizado pelo Caio Blat. Gostei da condução do filme, da atuação do Caio, da trilha, das experimentações, sem falar da fascinação que sinto pelo período em que a história acontece: a ditadura militar. Acho comovente a vontade de mudar o mundo (tenho um amigo que diz que eu quero consertar o mundo... talvez venha daí minha atração pela época em que se acreditava que isso era possível...).
O filme trata da trajetória da diretora e de seus dois irmãos, na década de 70. Seu irmão caçula foi enviado a Londres para não seguir os passos políticos da irmã, que havia se envolvido na luta armada. O fio condutor do filme é a intensa correspondência que ele troca com a família, durante os 9 anos em que passa viajando pelo mundo. A narrativa é entrecortada por entrevistas, feitas por Lúcia, ao irmão Heitor, o que nos dá ensejo de saber o que ele não contava nas cartas.
Enquanto Heitor viajava pelo mundo, a irmã era mantida na prisão. Anos depois, devido a carreira de cineasta, Lúcia visita os lugares por onde seu irmão passou. No filme tem uma frase ótima dela, que é mais ou menos assim: Eu e meu irmão nos encontramos no espaço, mas não no tempo.
E o outro irmão de Lúcia? Bem, ele é a razão do filme. Na verdade sua morte é o que leva a cineasta a recompor a trajetória dos três irmãos. No site, o filme é definido como "um documentário que trabalha sobre a memória, não só pela forma como é feita a investigação, mas também sobre o motivo do filme: a morte do terceiro irmão."
Mas não é um filme triste sobre morte, pelo contrário é um filme cheio de vida e sobre as inúmeras possibilidades que ela nos abre. É um filme sobre amizade, laços familiares, dor, liberdade, idealismo, loucura, política, memória...
É um filme sobre muitas coisas, principalmente sobre o ser humano.

PS: A foto foi retirada do site do filme, que vale uma visita:

http://www.taigafilmes.com/longaviagem/index.htm

PS': Como é bom quebrar o jejum e me alimentar das palavras escritas. Agora só falta ser fisgada pelo próximo livro...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"
G. Rosa - Grande Sertão Veredas

terça-feira, 17 de abril de 2012

Paz e silêncio




"Um silêncio é como um lago, uma superfície lisa e compacta.

Dentro, submersas, as palavras aguardam."



(Octavio Paz - O arco e a lira)

Descoberta

Domingo, estava lendo um livro de fotografia - resisto à tentação de usar o verbo ver, pois, apesar de a maioria das páginas apresentarem belas imagens, eu lia (no sentido que Paulo Freire usa esse verbo) as fotos e as palavras.


Durante a leitura, me deparei com uma frase impactante de um fisiologista húngaro, ganhador do Nobel de Medicina/Fisiologia de 1937.


Talvez você esteja se perguntando o que a frase de um cientista estaria fazendo num livro de fotografia da National Geographic. Talvez se souber qual é a frase, você pense em algo que ninguém pensou:


"Descoberta é ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou"


(Albert Szent-Györgyi)
Tenho andado muito grávida de silêncios...
Ando gestando palavras...

(esse silêncio é feto de palavra
que só deve nascer na hora certa,
caso contrário, o parto torna-se de risco)

Às vezes, aborto alguma
e ela sai,
torta, mal formada e mal formulada,
sem nenhuma condição de cumprir seu fim:
mostrar para o lado de fora o que está dentro.

Ou será que mostra?
Será que o está dentro é também assim:
torto e deformado?

Acho que às vezes é...
Por isso preciso gestar silêncios,
Para que as palavras nasçam no tempo exato,
Não para que nasçam belas -
afinal nem sempre a cria é bela -
mas para que nasçam doces, suaves e tranquilas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Heleno de Freitas




Todos sabem que gosto muito de futebol, embora não esteja tendo muito tempo de acompanhar os jogos. Ontem meu chefe me atualizou sobre a Libertadores - quem diria, ele, que não gosta de futebol, me contando como foi a rodada, a mim que antigamente assistia a XV de Piracicaba e São Bento de Sorocaba!!
Sou alvinegra, aqui com o Corinthians e no Rio com o Botafogo. Sou fiel à clássica combinação do preto e branco! Chiquérrima!!
Por conta dessa paixão, dia desses fui ver o filme Heleno, sobre um dos maiores craques do Botafogo. Confesso que não o conhecia. Minhas paixões no Fogão são o Garrincha e o Túlio Maravilha. Mas também gosto muito do Gérson, Nilton Santos, Didi e Amarildo (substituto do Pelé na Copa de 62).
Gostei muito do filme, apesar de ser extremamente triste. Mas o que eu mais gostei foi da atuação do Rodrigo Santoro, que faz o personagem do título. Já havia visto outros filmes dele e tinha gostado. Ele é um grande ator.
Gosto especialmente da forma como ele se entrega ao personagem, sem nenhuma vaidade. Nesse filme ele está irreconhecível. Na primeira cena do filme, que é em flash back, vemos o Heleno no final da vida. Quando a cena rodou, pensei: Ué, não era o Santoro que fazia esse papel? Isso mesmo, no primeiro momento duvidei de que estava vendo o Rodrigo Santoro. Fantástico!! Isso é entrega, seriedade e profundidade no trabalho como ator.
Me emocionei muito com a história de Heleno e com a entrega de Rodrigo.
Depois do filme, mais dois nomes foram incluídos na lista de minhas paixões: Heleno de Freitas e Rodrigo Santoro - ambos emocionadores.
PS: não sei se a palavra "emocionador" existe, mas no meu dicionário particular significa aquele que provoca emoção forte.
PS': ao que parece Santoro é vascaíno.

Barthes e suas lições

"Eu tento, portanto, permitir-me ser possuído pela força de toda a vida viva: o esquecimento...
Há um tempo quando se ensina aquilo que se sabe.
Mas há um tempo que se segue quando se ensina aquilo que não se sabe.
Talvez agora chegue o tempo de outra experiência: a de desaprender, quando a gente se permite estar à mercê das transformações imprevisíveis que o esquecimento impõe à sedimentação de todos os tipos de conhecimento, de culturas, de crenças... Essa experiência, eu creio, tem um nome ilustre e antiquado, que ouso tomar aqui sem um pingo de vergonha, no lugar preciso da etimologia: sapientia:
nenhum poder,
uma pitada de conhecimento,
uma pitada de sabedoria,
e o máximo possível de sabor..."

Que minha vida seja um eterno e saboroso "desaprendizado"!! Gostaria de ser como o Alberto Caeiro e ver o mundo pela primeira vez, todos os dias. Assim, como o a criança, meu mundo seria mais lúdico e muuuuito mais saboroso!!!
Desaprender é aceitar o imponderável da vida, afinal, como diz Woody Allen, a vida tem vida própria!!

PS: o texto do Roland Barthes é parte de sua aula inaugural no Collège de France e foi transcrita no livro "Aula", publicado pela Cultrix.

terça-feira, 10 de abril de 2012

E por falar em Rio de Janeiro...











Fotos tiradas com meu celular, em jan/12: três do Rio (duas da vista do Parque das Ruínas e uma de uma Igreja em Sta Teresa) e uma da vista da Ilha do Araújo, em Paraty