Por que "clepsidro-me"?!?!

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Muito pouco

Esses dias me lembrei dessa música, do Paulinho Moska

As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida trás
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero (mais)


Paulinho Moska - Muito Pouco

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Turbinada


Segunda-feira passada, minha irmã me apresentou a um novo CD do Zeca Baleiro - Trilhas: música para cinema e dança.

Acho o Zeca genial, simpático, super bem humorado e de uma sensibilidade incontestável. Sempre presto atenção às letras dele. Já tinha ouvido umas músicas desse CD no rádio, mas me diverti muitíssimo com uma que ouvi naquele dia. Ei-la:


Turbinada

Ela fez dezessete pequenos reparos
No lóbulo da orelha
Extraiu as rugas pés-de-galinha
Que a deixavam mais velha
Ela botou botox sorriso inox
Que eu paguei em doze suaves prestações
250 ml de silicone em cada peito
Ficaram no jeito dois belos melões

Tirou um par de indesejáveis costelas
Ficou com a cintura fina cinturinha de pilão
Malha como louca não marca touca
Ela tá sarada turbinada processada envenenada
Um mulherão

Ela ficou uma máquina
Ela ficou uma máquina
Mas tudo que eu queria tudo que eu queria
Tudo que eu queria mesmo era uma mulher

Ela fez lipo agora faz tipo
Desfila com suas nádegas durinhas no calçadão
Ela fez peeling e só tem feeling
Pras coisas que podem deixá-la mais bela magrela
Cinderela sem paixão



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Estou quase terminando o segundo livro da coleção "Histórias de Canções", sobre o Toquinho (o primeiro foi sobre o Chico).

Nem precisa lembrar que ele tem músicas belíssimas. É muito interessante saber como essas canções foram compostas, quais as histórias dos bastidores.

Você sabia, por exemplo, que a letra da famosa "Aquarela" foi composta originalmente em italiano por Guido Morra e depois "traduzida" para o português por Toquinho? Nem eu!!!

Entre muitas outras perólas, o livro traz uma parceria do Toquinho com o Vinícius que achei particularmente bonita, e, ao que me parece, um pouco desconhecida.

Nela os papéis usuais são invertidos: o Vinícius fez a música e não houve tempo de fazer a letra. Toquinho, então, ficou com a tarefa e deu uma de poeta.

Ei-la:


Deixa acontecer


Ah, não tente explicar

Nem se desculpar

Nem tente esconder.

Se vem do coração,

Não tem jeito, não,

Deixa acontecer.

O amor é essa força incontida,

Desarruma a cama e a vida,

Nos fere, maltrata e seduz.

É feito estrela cadente

Que risca o caminho da gente,

Nos enche de graça e de luz.

Vai debochar da dor

Sem nenhum pudor

Nem medo qualquer.

Ah, sendo amor,

Seja como for

E o que Deus quiser.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O ser humano

Ontem, fiquei bem melancólica pensando na qualidade do ser humano.
Tive uma conversa com um amigo (será que posso chamá-lo assim? não sei como nomeá-lo, pois é muito mais que um conhecido e, ao menos pra mim, está bem perto da amizade o prazer que sinto em conversar com ele. existe amigo de mão única? se existe, talvez esse seja o caso. se bem que desconfio que a amizade não floresce plenamente por pura falta de oportunidade. nunca conversei com ele a esse respeito, aliás nunca pensei sobre isso - apenas senti assim. será pretensão minha? se for, peço desculpas), e nessa conversa ele me contou algumas coisas do seu trabalho, que envolve pessoas das quais gosto e pelas quais tenho uma profunda admiração.
Resumindo, o caso é o seguinte: ao trocar a chefia do lugar onde ele trabalha, o novo chefe despediu as pessoas próximas do antigo chefe, assim sem mais nem por quê! Pessoas de uma competência inquestionável!
Esse caso, particularmente, me supreendeu porque na minha inocência eu achava que os chefes - o novo e o antigo - eram amigos. Pelo que se sucedeu, acho que não era bem assim.
Você já viu isso em algum lugar? Pois é, ambos - meu amigo e eu - já vimos e por isso começamos a falar quão decepcionante podem ser as atitudes das pessoas.
Ando bem desiludida com a qualidade do ser humano, pois às vezes podemos ser extremamente egoístas, soberbos, dissimulados, ambiciosos, inescrupulosos etc, etc, etc...
Fiquei realmente melancólica com nossas divagações, e a tarde, que estava ensolarada, ficou meio cinzenta para mim.
Sabe, devo confessar uma coisa: eu teimo em querer confiar no ser humano e, talvez o pior de tudo, eu gosto dessa teimosia.
Quando me despedi do meu amigo, fui encontrar-me com minha irmã. Entrei no carro e liguei o rádio, como de costume.
A música ajudou a "desacinzentar" a tarde, que voltou a ficar ensolarada quando encontrei minha irmã, que tem um brilho de sol.
Entre outras coisas, fomos à Livraria Cultura. No meio dos livros, lendo um trecho de um e de outro volume, trocando impressões com minha irmã, percebendo o entusiasmo de meu sobrinho pela leitura (hilária a negociação dele pra ganhar mais livros do que o combinado!), conversando com os excelentes vendedores/leitores de lá, o dia voltou a brilhar dentro de mim.
Claro que não resisti e sai de lá com dois livros de poesias do Manoel de Barros, um menino de 94 anos. Um dos livros é "Memórias inventadas para crianças" e o outro, "Menino do mato" , que já devorei.
Tudo isso me lembrou a música "Paratodos", do Chico Buarque, em que ele diz:
"Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
...
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto"

E eu acrescento:
Para melancolia, não existe nada melhor que poesia, seja cantada ou escrita!!
Obrigada, queridos médicos, poetas, cantores, cirurgiões!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Trilha sonora


Ontem, pouco antes de sair do trabalho, recebi um grato e surpreendente telefonema e, na sequencia, fiz um que muito me agradou.
Envolta nos pensamentos sobre os telefonemas, entre os quais não havia ligação nenhuma, caminhava para o carro, que me levaria de volta pra casa, depois de mais um dia árido no trabalho.

Entrei no carro e liguei o rádio, automaticamente. Entretanto, a música logo me tirou do automático.

Quando começou, a canção se entrelaçou aos pensamentos "já pensados" e impôs outros novos, "impensados": pensei que se eu estivesse num filme, essa seria a hora de soltar a trilha.
(Vocês certamente já repararam que em praticamente toda cena de filme tem uma música? Se o mesmo acontecesse na vida real, seria insuportável, ao menos pra mim que gosto muito de ouvir o silêncio)

Ri de meus pensamentos - constantemente meus pensamentos tiram risos marotos de minha boca - e entrei no jogo cinematográfico.

A música que estava tocando, por puro acaso, poderia muito bem servir de trilha para o telefonema que havia acabado de dar. Quase todos os seus versos se encaixavam na relação que tinha com o meu interlocutor.

Eu ainda pensava na coincidência entre a arte e a vida, quando desconfiei que o DJ da rádio estava brincando comigo (ou seria o "destino" me mandando um recado?): a próxima música também serviria de fundo musical, mas dessa vez para o telefonema que havia recebido.

Quais eram as músicas? Por ironia, eram músicas de cantores que não me agradam muito: Vander Lee, com "Fui", e Ivete Sangalo, com "Quando a chuva passar".
É, a vida é mesmo surpreendente!!




quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tatit


Faz uns meses comprei um CD do Luiz Tatit. Eu gosto muito desse Tatit - digo "desse" porque é uma família de gente com talento, tem o Paulo, tem o Jonas, ambos envolvidos no Palavra Cantada/Tocada.

O Luiz Tatit foi meu professor na faculdade e desde aquela época sou apaixonada pelo trabalho dele, além de um professor super competente - consegue explicar coisas complicadas de uma maneira simples e interessante -, é um músico criativo. Foi fundador do extinto Grupo Rumo, um dos mais interessantes que conheci, com letras acuradas.

Aliás a palavra sempre foi o forte de Tatit, por isso vou postar aqui, como homenagem, duas letras bem criativas do seu mais recente CD "Sem destino".

A primeira é a que dá nome ao disco:

"Tudo que era o meu destino
Na verdade nunca me aconteceu
Pode ter acontecido
Pra alguma pessoa
Mas não era eu
Vivo assim na vida sem previsão
Todo mundo tem destino, eu não
Nunca os fatos são de fato fatais
Não confio na fortuna jamais
Puro acaso e nada mais

Tudo que já estava escrito
No meu caso nunca se concretizou
Só talvez o aniversário
Que é na mesma data
E não se aterou
Era pra eu já ter encontrado um amor
Era pra eu já ter esquecido o anterior
Era pra eu já ter aprendido a sonhar
Era pra eu correr o mundo e voltar
Mas viagem sem destino, não dá

Quero minha sina
Quero minha sorte
Quero meu destino
Quero ter um norte
Quero ouvir uma vidente
Que me conte tudo
Só esconda a morte
Quero uma cereza mínima
Que se confirme
Que não seja trote
Por não ter o meu destino
Vivo em desatino
Como D. Quixote

Quem não tem o seu destino
Chega a noite
Pensa que tudo acabou
Se levanta muito cedo
Nunca sabe bem
Por que levantou
Nada tem urgência para cumprir
Pode virar do outro lado e dormir
Pode ficar nessa até o entardecer
Todos os amigos vão entender
Levantar sem ter destino
Pra quê?

Ser assim tão sem destino
Me preocupa muito
Me deixa infeliz
Sempre quis o meu destino
Foi o meu destino
Que nunca me quis
Mesmo algum sucesso que ele
previu
Era pra me revelar, desistiu
Acho que ele foi atrás de outro
alguém
Pois destino tem destino também
E só revela aquilo que lhe convém.


A segunda canção, chama-se "Dia sim, dia não":

Quem amou
Dia sim dia não
Só amou à prestação
Na indecisão
Teve carinho
mas nunca teve carinhão
Que é uma ternura imensa
Que pega ponta do seu pé
E vai ao topo da cabeça
É um caminhão de cafunés

Quem chorou
Dia sim dia não
Dividindo a aflição
Com a razão
Chorava menos
Mas foi chorando até o verão
Quando o prazer aumenta
Quando é melhor se animar
Pois se chora ninguém aguenta
Despeja as lágrimas no mar

Quem sofreu
Dia sim dia não
Só sofreu uma fração
Uma porção
Melancolia
Mas que virou satisfação
Mas que virou melancolia
É pra testar o coração
No desalento e na alegria
É o tiquetaque da emoção

Dia sim dia não
Um adianta, outro atrasa
A evolução
E a solução
Dia sim dia não
Um machuca, outro sopra
E fica bom
Ou quase bom
Vai se abrir, se fechar
Vai sorrir, soluçar
Vai a vida vai e volta:
Amar, chorar, sofrer

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Epitáfio (?)

Outro dia aconteceu algo interessante. Estava dirigindo e pouco antes de chegar, à noite, em casa, começou a tocar no rádio a música "Epitáfio", dos Titãs. Fiquei um pouco no carro, ouvindo a música, da qual gosto muito. Fiquei pensando na letra e decidi escrever um texto inspirado nela.
No dia seguinte, ao pegar o carro, advinhe o que estava tocando? Isso mesmo - Epitáfio.
Parece que o texto estava me lembrando que precisava de alguém pra escrevê-lo (os textos têm vida própria, só nos usam para escrever, porque não sabem manusear o lápis nem o teclado!)
Quando cheguei em casa, ao final do dia, fui ver minha irmã. E ela me emprestou uns livros, entre eles um do Mario Sergio Cortella, que foi professor dela e a quem conheci por seu intermédio.
Vocês conhecem o "Não espere pelo epitáfio..."? Ainda não li, mas tenho certeza de que era mais um recado do meu texto pronto pra surgir...
Pois bem, aqui está o texto.
Mas se fui usada para escrevê-lo, devo ter o direito de batizá-lo como bem entendo. E meu texto não se chama epitáfio, pois quero celebrar a vida e a poesia e também a poesia da vida!
Chama Poética, em homenagem ao Vinícius de Moraes, que tem um poema com esse nome e que soube aproveitar a vida.


Poética
Quero amar mais,
E chorar menos,
E nunca sentir raiva,
E perdoar sempre - a mim e aos outros.

Quero ver, muitas e muitas vezes, o sol nascer.
Quero ver, muitas e muitas vezes, a lua brilhar.
E viver cada segundo entre um e outro.

Quero aprender, nem que para isso tenha que errar.
Quero, especialmente, aprender a não me culpar pelos erros.

Quero aceitar as pessoas como elas são,
não quero mais tentar mudá-las.
Quero perceber a dor e a alegria
que cada um carrrega dentro de si e que eu carrego em mim.

Quero fazer o que meu coração mandar
Quero que meu coração se entenda com minha razão.

Creio que Deus vai me proteger
quando coração e mente discordarem.

Creio que Deus vai me proteger
por onde quer que vá.

Quero trabalhar no que me dá prazer.

Quero ver o sol se pôr, seja como for:
no trânsito, da janela do meu trabalho, de um montanha...
Quero ter olhos para ver a beleza onde ela está.

Quero dar aos problemas a dimensão exata que eles têm.
Quero sempre me lembrar que nenhum problema é maior que meu Deus.

Creio que Deus vai me proteger
quando um problema vier.

Creio que Deus vai me proteger
por onde quer que vá.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Burn it Blue

Hoje ganhei, de um amigo muito querido, uma música: Burn it blue, composição de Elliot Goldnthal.
E, como forma de agradecer e demonstrar meu afeto por ele, transcrevo um trechinho da canção, que faz parte da trilha premiada do filme sobre a Frida Kahlo, que é um dos meus preferidos.
Quem canta é o Caetano Veloso e a mexicana Lila Downs.
Aí vai um trechinho de uma tradução livre:

"Incendei em azul
Incendei esta casa
Incendei em azul
Coração ficando vazio
Tão perdido sem você
Mas o céu da noite desabrocha com fogo
E a cama em fogo flutua mais alto
E ela está livre pra voar...."

Vale a pena procurar na net e ouvir a interpretação dos dois, no original, em inglês. Emocionante!!!!

Ultimamente ando muito musical. Talvez porque minha vida esteja muito corrida, eu tenho trocado a leitura pela audição - afinal consigo ouvir música e fazer outras coisas ao mesmo tempo!
Uma das minhas recentes descobertas é a Ana Cañas, em especial uma composição do Nando Reis que ela canta. Acho tão bonita a letra e a Ana interpreta de um jeito que combinou.
O verso que fala do rio definitivamente me fisgou, depois dele comecei a prestar muita atenção toda vez que ouvia essa música!
Se bem que a parte da mentira e do cuidar também são ótimas. Nunca havia pensado em mentira como vaidade, mas sempre achei que cuidado tem relação com a alma, com a sensibilidade - ambas invisíveis.

Luz Antiga

Eu só queria que você cuidasse
Um pouco mais de mim como eu cuido de você
Cuidar é simplesmente olhar
Pro mundo que você não vê
Pra medir o amor não existe cálculo
Um mais um pode não ser dois
Futuro é linda paisagem
Desejo que não é sonho é mera ilusão

Se não sabe
Se afaste
De mim
Se ainda cabe
Me abrace
Enfim

Só ligue se tiver vontade
Só venha se quiser me ver
Mentir é pura vaidade
De quem precisa se esconder
Será que eu vejo apenas o que você não vê?
Eu não entendo como você não pode perceber
Que eu não sei mais
Eu não sei mais, eu não sei mais,
Eu não sei mais, eu não sei mais,
Eu não sei

O sangue é o rio que irriga a carne
E a alma é a terra de um morro
E luz antiga no fim da tarde
Essa saudade sem socorro

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Presente Passado


Ontem estava indo pro trabalho, com o rádio ligado, como de costume.

Muitas vezes me perco em meus pensamentos e nem escuto direito as músicas ou notícias, mas ele está sempre ligado.

Repentinamente uma música me chamou muito a atenção, não sabia identificar quem estava cantando, apesar de já ter ouvido a canção e saber que aquela voz me era familiar.

Era a Isabela Taviani. Fui apresentada a ela pela minha irmã. Na ocasião, quando ouvimos o CD juntas, as músicas da cantora não me disseram muito. Mas ontem eu fiquei grudada na música, talvez por sua letra, da qual gostei muito.

Acho que vou pedir o CD emprestado...


Presente Passado

A essa saudade no meu peito
Esse vazio de você
A esse meu jeito meio feio
De não saber lhe perder

Você foi sem dizer
Onde podia encontrar
Uma razão pra lhe ver
Você podia me deixar
Mas o tempo passou
E essa dor não cessou
Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes
Mas agora é tarde

Ai, o tempo frio que me esquenta
A boca seca que me tenta
Ai, o véu da noite que alumia
É meia noite em meio dia

Você foi sem deixar
A chance de se ver voltar
Uma razão pra esquecer
É o que ficou em seu lugar
Mas o tempo passou
E essa dor não cessou
Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes
Mas agora é tarde





segunda-feira, 22 de março de 2010

Estricnina


Semana passada fui a um show no Memorial da América Latina, que por sinal está fazendo 21 anos. Fui assim, meio que no susto, sem saber muito bem do que se tratava, sabia apenas que era um show do Toquinho e, portanto, não poderia ser ruim.
Mas na verdade era mais que isso: era um show em homenagem ao centenário de nascimento do Adorinan Barbosa.
Eu, talvez por influência de meu pai, sempre achei o Adoniram o máximo!! De uma simplicidade ímpar e de um bom humor inusitado. Adoro o jeito como ele brinca com língua portuguesa.
Talvez o Adoniram seja o único capaz de inserir a quase impronunciável "estricnina" numa música, aliás uma das minhas preferidas, pela sua leveza! Genial!!
Outra surpresa do show foi a participação do Carlinhos Vergueiro, aparição rara, que dá um tempero especial ao caldeirão musical.
Toquinho e Carlinhos foram recheando o caldeirão com músicas ora suaves, ora divertidas, ora comoventes.
Eu, particularmente, me diverti e fiquei comovida com a "Torresmo à milanesa" (tem um pedacinho dela logo abaixo, pra quem não se lembra).
Me diverti pela história que o Carlinhos contou: quando ele e o Adoniran estavam compondo essa música, o Adoniran disse pra trocar o "bife à milanesa", por "torresmo à milanesa". Quando o jovem músico perguntou o por quê da mudança, ouviu: "Por que fica mais triste!" E fica mesmo! Comovente!


Um pouquinho de Adoniram:

O enxadão da obra
bateu onze horas

Vamo se embora, João
Vamo se embora, João
Que é que você troxe
Na marmita, Dito?
Truxe ovo frito
Truxe ovo frito
E você, Beleza,
o que é que você troxe?
Arroz com feijão
E um torresmo à milanesa
Da minha Tereza

(de Torresmo à milanesa)


Tiro ao Álvaro

De tanto levar
Frechada do teu olhar
Meu peito até
Parece sabe o quê?
Táuba de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar...

Teu olhar mata mais
Que bala de carabina
Que veneno estricnina
Que peixeira de baiano...

Teu olhar mata mais
Que atropelamento
De automóvel
Mata mais
Que bala de revólver...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Elvis não morreu

Hoje Elvis Presley faria 75 anos.
Não pensem que sou uma fã ardorosa e por isso cutivo a memória dele. Nada disso. Ou melhor não é bem isso. Sou fã, sim, mas não tenho nenhuma dedicação a astro algum. Não acompanho de perto (acho que nem de longe.... talvez de logíssimo - minha vida já me ocupa muito) a vida das celebridades. Então, como sei disso? - estaria você se perguntando.

Explico: estava no carro, guiando pro trabalho, nesta quente sexta-feira, que promete ser também chuvosa, quando ouvi a notícia.
Imediatamente me lembrei dos filmes que via na sessão da tarde, quando adolescente. Como eu gostava!!!! Podia ver dezenas de vezes o mesmo filme, o que acontecia com certa frequência (não me acostumo a dispensar o trema!!), já que a TV reprisava muito - será que ela sabia do meu desejo nietzschiano de retorno? rsrsrsrsrs
A princípio, o que me encantou foi a imagem do Elvis - seu vigor, sua beleza, seu charme, seu jeito. O topete me intrigava, sempre tão ajeitadinho!!!!

Depois comecei a prestar atenção na música e na voz. Daí é que gostei mesmo!
Acho que tenho um certo deslumbramento pelas décadas de 50 e 60. Sei lá vontade de viver aquela efervescência toda.

Nunca fui roqueira de carteirinha, mas senti muito prazer ao ouvir os hits hoje de manhã no rádio. Gosto da música dele, da voz, da entonação, da emoção que passa.
Mas o que mais gosto, e por isso o imenso prazer em ouvir o Rei do Rock, é lembrar da época em eu assistia sessão da tarde. Será que é por isso que até hoje eu gosto do Jerry Lewis?!?!!?