Por que "clepsidro-me"?!?!

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012











O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se não a vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.



Todo eu sou qualquer força que abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


(Alberto Caeiro, em O pastor amoroso)
Ontem fui bruscamente tragada para dentro de um sebo, que há pouco foi inaugurado, perto de minha casa.
Só consegui sair de lá depois de muita luta e sob a escolta do Alberto Caeiro e do Yasunari Kawabata.
Não encontrei com quem queria - Adélia Prado - mas não posso me queixar, saí em muito boa companhia, que compartilho com vocês:

II
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

(Alberto Caeiro , em O guardador de rebanhos)


XIII
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve,
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

(Alberto Caeiro, em O guardador de rebanhos)

Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos...
Haja.

(Alberto Caeiro, em Poemas Inconjuntos)

Ainda não posso compartilhar nada do Kawabata, pois primeiro tenho que terminar o romance que estou lendo agora pra depois começar o dele. Mas confesso que estou numa curiosidade! Ainda bem que o carnaval está ai!!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Em nome da princesa morta




"Durante algumas semanas, ela vai se esforçar para encontrar essa emoção e esse sofrimento que a tranquilizam (...) Em vão. Tem o sentimento de ter realmente perdido tudo, agora que perdeu até seu desgosto"






(do livro Em nome da princesa morta, de Kinizé Mourad, Ed Globo, 1988, p. 169)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Eu quero você
desesperadamente

Quero você
como quero um cobertor
como quero um copo d'água
como quero pão
como quero minha casa e meus livros

Quero você
pra alimentar meu corpo
afagar meu coração
estimular minha mente
aquecer minha alma
fazer meu espírito voar

Eu quero você
desesperadamente
pra te aconchegar no meu colo e
fazer você sonhar

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Azul

Outro dia estava fuçando em minhas anotações e me deparei com essa aí. Não faço ideia do porquê a anotei. Talvez porque azul seja uma de minhas cores favoritas? (Ou será que é a favorita?)

"O azul é a mais profunda das cores: nele, o olhar mergulha sem encontrar qualquer obstáculo, perdendo-se até o infinito, como diante de uma perpétua fuga da cor.
O azul é a mais imaterial das cores: a natureza o apresenta geralmente feito apenas de transparência, isto é, de vazio acumulado, vazio de ar, vazio de água, vazio de cristal ou diamante.
O azul é exato, puro e frio."

Dicionário de Símbolos – Jean Chevalier e Alain Gheerbrant

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fotos de SP

Já que não consigo escrever - e olha que não é por falta de assunto ou vontade - posto essas fotos, que tirei no último fim de semana, quando mostrei parte de SP para um amigo carioca.



Catedral da Sé


Estátua em frente ao Pátio do Colégio




Café Girondino, com o Mosteiro de S. Bento ao fundo




Interior do Café Girondino





Mosteiro de São Bento - fachada e vitral

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Rubem Alves

Ontem, estava lendo o Rubem Alves. O nome do livro é "Desfiz 75 anos".
Acho que é seu livro mais recente - ia escrever último livro, mas quero que ele esccreva muitos mais!!

"É inútil viajar para outros lugares se não conseguimos desembarcar de nós mesmos" (p.12)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Muito pouco

Esses dias me lembrei dessa música, do Paulinho Moska

As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida trás
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero (mais)


Paulinho Moska - Muito Pouco

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Com suas mãos,

você me eleva às alturas,

onde pesco uma estrela intensa

para retribuir o brilho

que você depositou em mim

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Poema emprestado

Quero crescer muito pra preencher seu vazio

Quero ser água pra matar sua sede

Quero criar asas pra voar pra longe,
quando você não me quiser por perto

Quero aguçar os sentidos pra saber
quando voltar e te dar colo.
Você me lê lua
Você me nina nua
Você me tem tua

Pra você,
eu me clepsidro,
despudoradamente...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"Amamos os símbolos que vemos escritos nalguma parte do corpo da pessoa amada. O amor pertence à ordem da poesia."



Cantos do Pássaro Encantado - Rubem Alves
"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue"

(Mania de Explicação - Adriana Falcão)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pássaro

Pássaro com a asa machucada
Alça voo -
Feliz, por estar voando, e
Dolorido, por ter sido ferido.

A ferida latejante,
escondida nas penas imponentes,
impede a plenitude do voo.

Que encontre o bálsamo
aliviador
apaziquante

suave
doce
terno


E alcance a plenitude.

Saudades

Hoje me contaram uma história.
Me emocionei.

Um menino estava em fase terminal de uma doença grave.
Ele sabia que ia morrer.
Conversando com sua mãe, disse:
- Sei que você vai sentir saudades.

Mas a saudades é o amor que fica.