Por que "clepsidro-me"?!?!

Leia a primeira postagem e descubra!!! (clique aqui)







quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma vez li, não sei onde, a seguinte frase:



"Estou onde me ponho"




Ando pensando muito nisso ultimamente...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O jardim, convite à preguiça, exige trabalho constante.


Carlos Drummond de Andrade



Fazia muito tempo que não lia o Bandeira. Hoje reli. Eis um poema do livro Belo Belo:


O Rio



Ser como o rio que deflui

Silencioso no meio da noite

Não temer as trevas da noite

Se há estrelas no céu, refletí-las




E se os céus se pejam de nuvens

Como o rio as nuvens são água,

Refletí-las também sem mágoas

Nas profundidades tranquilas




domingo, 17 de julho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

seus movimentos
seu toque
seus beijos
embaçam meus pensamentos

nossa secreta loucura
que só a almofada presencia

o que sinto?

07/05/11
suas mãos
nas minhas costas

seus dedos
na minha palma
na minha alma
na minha falta de calma

sua pressão
na minha garganta

meus dedos
nos seus caracois

você
em mim

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Elogio à amizade








Quanto tempo, né?! Depois de quase um mês sem postar, um pouco devido à falta de tempo e um pouco à falta de assunto, volto pra registrar algo que muito me emocionou: um vídeo postado no Uol (o link está aí embaixo).


Hoje chorei na frente do computador - quem me conhece vai dizer que isso não é nada difícil, pois eu sou mesmo uma manteiga derretida! Tá bom, tenho que concordar!! Mas talvez você se emocione também...


Um menino de 17 anos estaria ficando deprimido porque seus cabelos caíram depois de um mês de quimioterapia. O que fizeram seus amigos? Rasparam a cabeça pra que Artuhr não se sentisse diferente!


Fiquei realmente comovida! Tenho dois motivos especiais pra me comover: meus cabelos também caíram com a quimio e já fui surpreendida com atitudes de carinho pela garotada da idade do Arthur.


Depois de mais ou menos 6 semanas da minha primeira sessão de quimio (foram só 4, graças a Deus), meus cabelos começaram a cair e, o que era mil vezes pior, meu couro cabeludo começou a dor muuuuito. Não tive dúvidas, disse a minha família que iria raspar a cabeça, pois não queria passar pelo desconforto daquela dor desnecessária. Claro que ouvi negativas à minha decisão. Mas expliquei que eu me sentiria melhor e que a decisão já estava tomada.


O cabeleireiro que raspou meu cabelo tinha perdido sua mãe para o câncer e foi generossímo comigo (caso leia esse blog, Hélio, meus sinceros e emocionados agradecimentos). O alívio que senti foi tão bom que nem quis usar de imediato a peruca que havia comprado. E olha que meus cabelos eram bem compridos!!


Depois de uns quatro meses, meu cabelo voltou a crescer normalmente e eu aposentei a peruca. Passei a ser "fashion" com o cabelo curtíssimo!! Estava tão feliz porque a quimio tinha acabado que me sentia linda e maravilhosa!! (se estava ou não, são outros quinhentos!! as fotos dessa postagem são de meu anivernisário, nessa época - tirem suas conclusões!! rsrs) Hoje, mais de um ano depois, meus cabelos já estão compridos novamente!!


Mas o que realmente me emocionou foi o carinho da galera com seu amigo! Todo mundo fala que os adolescentes são temperamentais, que é díficil tratar com eles e coisas assim!


Tenho que concordar que a relação com eles não é sempre um mar de rosas (mas há relação sem dificuldade? eu desconheço!), mas já presenciei demonstrações tocáveis de carinho e solidariedade! Lembro de uma vez que os alunos receberam a notícia de que um professor estava tendo dificuldade financeira em seu tratamento de câncer. Imediatamente os meninos tiveram um monte de ideias pra levantar dinheiro pra esse professor!! Foi muito bonito ver isso!


Assistindo ao vídeo dos colegas do Arthur, me lembrei de uma surpresa que meus alunos fizeram quando me despedi da escola onde trabalhava, no Rio. Tenho as fotos, o video e os bilhetinhos - de vez em quando revejo tudo e, claro, meus olhos enchem de água!!


Aos meus queridos adolescentes (alguns hoje já não são mais adolescentes!! rsrs), minha sincera admiração e meu eterno carinho!! Saibam que aprendi muito com vocês!!






Link pra notícia do Uol:



http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/03/ele-ficou-com-as-pernas-tremendo-diz-aluno-que-idealizou-careca-coletiva-em-minas-gerais.jhtm






quarta-feira, 11 de maio de 2011

















Mais algumas fotos, essas de uma lavra mais antiga (todas de Paraty)


terça-feira, 10 de maio de 2011

Você diz que é aluginógeno,

pois eu digo que é alucinante!

O certo é que estamos alucinados!

Você aluou-me,


mostrou-me a lua, em desvario...


Ehhh, aluamento bom!!
"A única viagem real da descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos"


Marcel Proust

terça-feira, 26 de abril de 2011

François Truffaut, uma autobiografia



Ontem assisti, na TV Cultura, ao documentário "François Truffaut, uma autobiografia", de Anne Andreu, produzido em 2004.


Eu adoro o Truffaut, aliás já escrevi sobre ele aqui. O documentário é bárbaro e dá um excelente panorama da obra do cineasta, com imagens dos sets de filmagens, entrevistas, depoimentos de diretores, atrizes e assistentes.


Fiquei com vontade de rever alguns filmes e ver outros que desconhecia até então, como "A sereia do Mississipi", considerado o mais hitchcockiano do Truffaut.


Segundo o cineasta, todo filme é sobre sentimento. Nunca havia pensado dessa forma e fiquei aturdida quando o ouvi dizer isso. Mas não é que ele tem razão!! Genial, mais uma vez!!


Outra coisa genial que ouvi dele foi: "A vida é por definição provisória (...) E nossa afetividade pede o infinito".


Que frase bonita!! De uma beleza um pouco melancólica, mas sem dúvida muito bonita e delicada. Por essas e outras que eu adoro o Truffaut!!

Saramago




Quem me conhece um pouco sabe que não sou lá muito apaixonada pelos livros do Saramago. Talvez isso se deva a um trauma da época da faculdade, quando tive que fazer um seminário sobre o "Memorial do Convento". Não sei exatamente o porquê, mas esse foi um dos trabalhos mais penosos pra mim, embora tenha achado interessante a ideia da moça que vê a pessoa por dentro...


Desde então, venho tentando ler as obras do Saramago, pois gosto da figura dele. Fiquei muito triste quando ele morreu. Gostava de ouvi-lo falar, gostava de ler suas entrevistas, sempre me interessava por sua biografia (uma vez ganhei um livro com muitas fotos dele - adorei!). O documentário sobre ele e sua mulher Pilar está na minha lista de filmes a assistir - aliás acho que vou vê-lo ainda nessa semana...


Hoje li um livrinho chamado "O conto da ilha desconhecida". Chamo de livrinho, porque é bem fininho, cerca de 60 páginas, como dizia uma professora "ele nem para em pé". Adorei - que prazer dizer isso de um Saramago!!! Vale a pena, pois , entre outras coisas, é uma metáfora da aventura que é a busca pelo auto-conhecimento.


Recomendo a leitura, que é prazeirosa, apesar da falta de pontuação caracterísitca do autor português. Eis uns trechinhos de brinde pra vocês:


"gostar é possivelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar" (p. 32)


"se não sais de ti, não chegas a saber quem és" (p. 40)


"como as pessoas se enganam nos sentidos do olhar, sobretudo no princípio" (p. 49)





PS: o número das páginas se refere a edição da Companhia das Letras (2008), que traz as belas aquarelas de Arthur Luiz Piza.

terça-feira, 12 de abril de 2011




você me segura?

(por que esse pedido reiterado ao infinito?)


não, eu não te seguro

não quero ninguém ao meu lado

porque está seguro,

feito bicho preso

passarinho na gaiola

cão fila em kitinete


não, não seguro!

definitivamente, não!


quero que a liberdade seja a corda que te prenda

quero que o afeto seja o laço que nos une

quero que a vontade seja o que te faz ficar

quero que o desejo faça você permanecer

quero que a leveza seja a brisa que te traga

quero que o bom humor seja a promessa de risos partilhados

quero que a porta esteja sempre aberta

e você decida sempre entrar por ela

pra entrar em mim


não te seguro

porque respeito tuas vontades

assim como respeito as minhas


não te seguro

porque ninguém me segura






As memórias do livro


Acabei de ler um livro metalinguístico: o "As memórias do livro" trata da história de um livro. Um livro falando de outro livro - metalinguagem pura!

Confesso minha total ignorância a respeito da escritora e jornalista australiana Geraldine Brooks. Só depois de terminar o "Memórias" é que fui procurar na net informações a respeito de sua autora. Ela ganhou, recentemente, dois prêmios Pulitzer: um com "As memórias do livro", em 2008, e outro com "March", em 2006 (este já está na minha cada vez mais obesa lista de livros pra ler!).

Apesar de achar que a tradução poderia ter sido mais cuidadosa, vale a pena ler o romance sobre o manuscrito hebraico, inspirado na verdadeira Hagadá de Sarajevo (se você, como eu, nunca ouviu falar em hagadá, leia a nota ao final do texto).

Em primeiro lugar, o livro de Brooks é muito bem narrado, com seus flashbacks perspicazes e personagens cuidadosamente construídos.

Como se isso não valesse a leitura, ela me abriu um mundo inteiramente novo: o da conservação de manuscritos antigos. Na história, Hanna é uma conservadora de livros com a tarefa de restaurar a Hagadá.

Conforme a tarefa de Hanna se desenvolve, descobrimos que muitos mistérios envolvem o manuscrito.

Aliás, esse também é um livro "detetivesco", pois, como um detetive, vamos juntando os fios para desvendar os misteriosos caminhos percorridos pela Hagadá.

Por esses caminhos, muitas vezes desfilam personagens com histórias muito tristes, histórias de intolerância e dor extremas.

As histórias ficcionais de Brooks são demasiadamente parecidas com as reais, registradas na História da humanidade.

Diria que este é um livro triste, como o é a destruição de livros e culturas, tema que subjaz a redescoberta da Hagadá.

Mais triste ainda porque as pessoas também são marcadas pela dor e destruição promovidas por tiranos que odeiam livros.

Como diz a epígrafe do "Memórias": No lugar onde se queimam livros, no fim se queimam homens (Heinrich Heine).



Nota: Segundo o dicionário Aurélio, hagadá é "narrativa da libertação e saída dos judeus do antigo Egito, entremeada de ensinamentos rabínicos, salmos de louvor e trechos bíblicos, conforme compilada da tradição oral, e que é recitada na primeira noite da Páscoa judaica"

quarta-feira, 6 de abril de 2011



longe é o lugar para onde não quero ir