Do livro "Memórias inventadas para crianças"
"Uso as palavras para compor meus silêncios"
"Sou um apanhador de desperdícios"
terça-feira, 16 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Acabei de "acabar" o livro O vendedor de passados, do J. E. Agualusa (minha febre africana voltou!! desconfio que só vai passar quando ler o Milagrário Pessoal!! rsrsrs)
Essa é uma história interessante de um homem que vende passados e tem por companhia uma lúcida lagartixa, que faz excelentes observações sobre a realidade (ou sobre o sonho?).
Lá pelas tantas, me deparo com a seguinte frase: "A felicidade é quase sempre uma irresponsabilidade" (de novo o tema da felicidade... adoro essa perseguição! rsrsrs)
Concordo com ela, em determinadas situações da vida optar pela felicidade pode ser confundido com uma atitude irresponsável. Contudo, creio que essa é, invariavelmente, a melhor opção, ainda que não pareça muito sensata.
Quem instituiu que felicidade e sensatez são inseparáveis?!?!!?!?
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Felicidade

Um tema tem me perseguido ultimamente: felicidade. Bom, né?!
Eu estou lendo um livro, que não é nem um pouco leve, e lá está ela.
Ligo o rádio e toca uma música com esse tema.
Abro outro livro e lá vem ela de novo........
Acho que é porque nesses últimos tempos estou me sentindo muito feliz, não exatamente alegre (apesar da alegria estar sempre me rondando, feito gato que quer carinho...), mas tenho me apercebido da felicidade com muita constância.
Sempre achei que alegria e felicidade eram coisas distintas. Embora a alegria possa ser companheira da felicidade, esta pode muito bem viver sem aquela.
Pra que me entendam melhor, recorro ao Agualusa (de novo ele...), que explica bem essa diferença:
"Há quem confunda a alegria com felicidade. A alegria não se parece com a felicidade, a não ser na medida em que um mar agitado se parece com um mar plácido. A água é a mesma, apenas isso. A alegria resulta de um entorpecimento do espírito, a felicidade, de uma iluminação momentânea. O álcool pode nos levar à alegria - ou um cigarro de liamba, ou um novo amor, porque nos obscurece temporariamente a inteligência. (...) A felicidade é outra coisa. Não ri às gargalhadas. Não se anuncia com fogo de artifício. Não faz estremecer estádios. Raras são as vezes em que nos apercebemos da felicidade no instante em que somos felizes." (Barroco tropical)
Sempre achei que a felicidade era um estado de espírito e a alegria, um contentamento por algo que aconteceu. Por isso, na minha opinão, a gente pode escolher entre ser feliz ou não, independentemente do mundo exterior, do que está acontecendo à nossa volta (claro, guardadas as devidas proporções).
Eu, de minha parte, sempre procuro optar pela felicidade, mesmo quando o céu não está assim tão azul. E aproveito cada momento de alegria também!! Assim, vou fazendo um estoque pros dias nublados!!
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Elucidário

Barroco Tropical - esse é o título do mais recente livro do Agualusa publicado no Brasil. Estou lendo-o, enquanto aguardo a publicação do Milagrário Pessoal.
Tem uma parte que fiquei com vontade de postar aqui porque eu já disse isso de outra forma.
Aí estão as palavras do Agualusa, na voz de Kianda, uma das personagens de Barroco Tropical:
"Escrevo para iluminar os corredores da minha alma. Bartolomeu iria crucificar-me por causa dessa frase (...) Quero que se dane! Sou assim mesmo. Além disso, é verdade: conheço bem a luz que dorme em certas palavras, a noite que se esconde noutras. Há metáforas que deflagram como granadas, estrofes capazes de abrir clarões à nossa frente. (...) Quando sinto-me perdida, sento-me e escrevo. Quando sinto-me irremediavelmente perdida, canto.
Canto para me salvar.
O que escrevo? Registro o que me acontece, num esforço para compreender o que aconteceu. Não invento nada. Não preciso de inventar nada. Não sou ecritora. Podia chamar a isto um diário cego, porque não tem datas. Prefiro chamar-lhe um elucidário"
Pois é, Kianda, também eu, quando estou perdida, ponho-me a escrever. Contudo, como não tenho a voz aveludada que tens (portanto não posso cantar), quando estou irremediavelmente perdida, invento histórias. Não sou escritora, mas invento histórias e também me alimento de histórias alheias, como a tua.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Pôr-do-sol
o sol se põe
como sua mão se põe em meu ombro
como o desejo se põe em nós
como o beijo, vermelho tal o entardecer, se põe em meus lábios
depois vem o frio,
o vento gelado de outono
espanta os espectadores,
mas não nos espanta
ficamos deitados na grama
os corpos colados, aquecendo um ao outro
a praça, agora vazia e silenciosa
como a noite que se anuncia,
nos convida a permanecer
nesta delicada contemplação
E nós, adolescentes despreocupados,
nos quedamos no entreato do inquieto cotidiano
como sua mão se põe em meu ombro
como o desejo se põe em nós
como o beijo, vermelho tal o entardecer, se põe em meus lábios
depois vem o frio,
o vento gelado de outono
espanta os espectadores,
mas não nos espanta
ficamos deitados na grama
os corpos colados, aquecendo um ao outro
a praça, agora vazia e silenciosa
como a noite que se anuncia,
nos convida a permanecer
nesta delicada contemplação
E nós, adolescentes despreocupados,
nos quedamos no entreato do inquieto cotidiano
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Um pouco do Manoel de Barros

Todos os seis poemas abaixo foram tirados do "Menino do mato", último livro do Manoel de Barros, que me serviu de antidepressivo dia desses.
"Invento para me conhecer."
"Para cantar é preciso perder o interesse em informar."
"Escrever o que não acontece é tarefa da poesia."
"Eu sempre guardei nas palavras o meu desconcerto."
"Invento para me conhecer."
"Para cantar é preciso perder o interesse em informar."
"Escrever o que não acontece é tarefa da poesia."
"Eu sempre guardei nas palavras o meu desconcerto."
(esse blog é pra guardar meus "concertos" e desconcertos!!)
"Ele sabia que as coisas inúteis e os
homens inúteis
se guardam no abandono.
Os homens no seu prórpio abandono.
E as coisas inúteis ficam para a poesia."
"Ele sabia que as coisas inúteis e os
homens inúteis
se guardam no abandono.
Os homens no seu prórpio abandono.
E as coisas inúteis ficam para a poesia."
(ah, poeta, como preciso dessa inutilidade!!)
"Eu queria fazer parte das árvores como os
pássaros fazem.
Eu queria fazer parte do orvalho como as
pedras fazem.
Eu não queria significar.
porque significar limita a imaginação.
e com pouca imaginação eu não poderia
fazer parte de uma árvore.
Como os pássaros fazem.
Então a razão me falou: o homem não
pode fazer parte do orvalho como as pedras
fazem.
Porque o homem não se transfigura senão
pelas palavras.
E era isso mesmo."
"Eu queria fazer parte das árvores como os
pássaros fazem.
Eu queria fazer parte do orvalho como as
pedras fazem.
Eu não queria significar.
porque significar limita a imaginação.
e com pouca imaginação eu não poderia
fazer parte de uma árvore.
Como os pássaros fazem.
Então a razão me falou: o homem não
pode fazer parte do orvalho como as pedras
fazem.
Porque o homem não se transfigura senão
pelas palavras.
E era isso mesmo."
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O ser humano
Ontem, fiquei bem melancólica pensando na qualidade do ser humano.
Tive uma conversa com um amigo (será que posso chamá-lo assim? não sei como nomeá-lo, pois é muito mais que um conhecido e, ao menos pra mim, está bem perto da amizade o prazer que sinto em conversar com ele. existe amigo de mão única? se existe, talvez esse seja o caso. se bem que desconfio que a amizade não floresce plenamente por pura falta de oportunidade. nunca conversei com ele a esse respeito, aliás nunca pensei sobre isso - apenas senti assim. será pretensão minha? se for, peço desculpas), e nessa conversa ele me contou algumas coisas do seu trabalho, que envolve pessoas das quais gosto e pelas quais tenho uma profunda admiração.
Resumindo, o caso é o seguinte: ao trocar a chefia do lugar onde ele trabalha, o novo chefe despediu as pessoas próximas do antigo chefe, assim sem mais nem por quê! Pessoas de uma competência inquestionável!
Esse caso, particularmente, me supreendeu porque na minha inocência eu achava que os chefes - o novo e o antigo - eram amigos. Pelo que se sucedeu, acho que não era bem assim.
Você já viu isso em algum lugar? Pois é, ambos - meu amigo e eu - já vimos e por isso começamos a falar quão decepcionante podem ser as atitudes das pessoas.
Ando bem desiludida com a qualidade do ser humano, pois às vezes podemos ser extremamente egoístas, soberbos, dissimulados, ambiciosos, inescrupulosos etc, etc, etc...
Fiquei realmente melancólica com nossas divagações, e a tarde, que estava ensolarada, ficou meio cinzenta para mim.
Sabe, devo confessar uma coisa: eu teimo em querer confiar no ser humano e, talvez o pior de tudo, eu gosto dessa teimosia.
Quando me despedi do meu amigo, fui encontrar-me com minha irmã. Entrei no carro e liguei o rádio, como de costume.
A música ajudou a "desacinzentar" a tarde, que voltou a ficar ensolarada quando encontrei minha irmã, que tem um brilho de sol.
Entre outras coisas, fomos à Livraria Cultura. No meio dos livros, lendo um trecho de um e de outro volume, trocando impressões com minha irmã, percebendo o entusiasmo de meu sobrinho pela leitura (hilária a negociação dele pra ganhar mais livros do que o combinado!), conversando com os excelentes vendedores/leitores de lá, o dia voltou a brilhar dentro de mim.
Claro que não resisti e sai de lá com dois livros de poesias do Manoel de Barros, um menino de 94 anos. Um dos livros é "Memórias inventadas para crianças" e o outro, "Menino do mato" , que já devorei.
Tudo isso me lembrou a música "Paratodos", do Chico Buarque, em que ele diz:
"Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
...
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto"
E eu acrescento:
Para melancolia, não existe nada melhor que poesia, seja cantada ou escrita!!
Obrigada, queridos médicos, poetas, cantores, cirurgiões!!!
Tive uma conversa com um amigo (será que posso chamá-lo assim? não sei como nomeá-lo, pois é muito mais que um conhecido e, ao menos pra mim, está bem perto da amizade o prazer que sinto em conversar com ele. existe amigo de mão única? se existe, talvez esse seja o caso. se bem que desconfio que a amizade não floresce plenamente por pura falta de oportunidade. nunca conversei com ele a esse respeito, aliás nunca pensei sobre isso - apenas senti assim. será pretensão minha? se for, peço desculpas), e nessa conversa ele me contou algumas coisas do seu trabalho, que envolve pessoas das quais gosto e pelas quais tenho uma profunda admiração.
Resumindo, o caso é o seguinte: ao trocar a chefia do lugar onde ele trabalha, o novo chefe despediu as pessoas próximas do antigo chefe, assim sem mais nem por quê! Pessoas de uma competência inquestionável!
Esse caso, particularmente, me supreendeu porque na minha inocência eu achava que os chefes - o novo e o antigo - eram amigos. Pelo que se sucedeu, acho que não era bem assim.
Você já viu isso em algum lugar? Pois é, ambos - meu amigo e eu - já vimos e por isso começamos a falar quão decepcionante podem ser as atitudes das pessoas.
Ando bem desiludida com a qualidade do ser humano, pois às vezes podemos ser extremamente egoístas, soberbos, dissimulados, ambiciosos, inescrupulosos etc, etc, etc...
Fiquei realmente melancólica com nossas divagações, e a tarde, que estava ensolarada, ficou meio cinzenta para mim.
Sabe, devo confessar uma coisa: eu teimo em querer confiar no ser humano e, talvez o pior de tudo, eu gosto dessa teimosia.
Quando me despedi do meu amigo, fui encontrar-me com minha irmã. Entrei no carro e liguei o rádio, como de costume.
A música ajudou a "desacinzentar" a tarde, que voltou a ficar ensolarada quando encontrei minha irmã, que tem um brilho de sol.
Entre outras coisas, fomos à Livraria Cultura. No meio dos livros, lendo um trecho de um e de outro volume, trocando impressões com minha irmã, percebendo o entusiasmo de meu sobrinho pela leitura (hilária a negociação dele pra ganhar mais livros do que o combinado!), conversando com os excelentes vendedores/leitores de lá, o dia voltou a brilhar dentro de mim.
Claro que não resisti e sai de lá com dois livros de poesias do Manoel de Barros, um menino de 94 anos. Um dos livros é "Memórias inventadas para crianças" e o outro, "Menino do mato" , que já devorei.
Tudo isso me lembrou a música "Paratodos", do Chico Buarque, em que ele diz:
"Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
...
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto"
E eu acrescento:
Para melancolia, não existe nada melhor que poesia, seja cantada ou escrita!!
Obrigada, queridos médicos, poetas, cantores, cirurgiões!!!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A insustentável leveza de ser
Ontem revi o filme do Phillip Kaufman, baseado no romance do Kundera - A insustentável leveza de ser, que já havia mencionado aqui.
Tinha me esquecido como é bonito!! Novamente me emocionei com o filme!!
Enquanto assistia, algumas palavras e imagens flutuavam entre mim e a tela:
confiança
dddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd desejo
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr repressão
PS: se você não entendeu o "meu chapéu", leia a postagem sobre o Kundera.
Tinha me esquecido como é bonito!! Novamente me emocionei com o filme!!
Enquanto assistia, algumas palavras e imagens flutuavam entre mim e a tela:
confiança
sensualidade
força bruta
amor
política
DDDDDDDDDDDDDddddddddddddddddddddddddddddddddDDDD felicidade
liberdade sssssssssssssssssssss sofrimento
leveza eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeescolhasprazer
SSSSSSSSSSSSSSSSSS sonhodddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd desejo
primavera de Praga (e tudo o que isso implica)
belezarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr repressão
covardia
luta
o "meu chapéu"!!
PS: se você não entendeu o "meu chapéu", leia a postagem sobre o Kundera.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Trilha sonora

Ontem, pouco antes de sair do trabalho, recebi um grato e surpreendente telefonema e, na sequencia, fiz um que muito me agradou.
Envolta nos pensamentos sobre os telefonemas, entre os quais não havia ligação nenhuma, caminhava para o carro, que me levaria de volta pra casa, depois de mais um dia árido no trabalho.
Envolta nos pensamentos sobre os telefonemas, entre os quais não havia ligação nenhuma, caminhava para o carro, que me levaria de volta pra casa, depois de mais um dia árido no trabalho.
Entrei no carro e liguei o rádio, automaticamente. Entretanto, a música logo me tirou do automático.
Quando começou, a canção se entrelaçou aos pensamentos "já pensados" e impôs outros novos, "impensados": pensei que se eu estivesse num filme, essa seria a hora de soltar a trilha.
(Vocês certamente já repararam que em praticamente toda cena de filme tem uma música? Se o mesmo acontecesse na vida real, seria insuportável, ao menos pra mim que gosto muito de ouvir o silêncio)
Ri de meus pensamentos - constantemente meus pensamentos tiram risos marotos de minha boca - e entrei no jogo cinematográfico.
A música que estava tocando, por puro acaso, poderia muito bem servir de trilha para o telefonema que havia acabado de dar. Quase todos os seus versos se encaixavam na relação que tinha com o meu interlocutor.
Eu ainda pensava na coincidência entre a arte e a vida, quando desconfiei que o DJ da rádio estava brincando comigo (ou seria o "destino" me mandando um recado?): a próxima música também serviria de fundo musical, mas dessa vez para o telefonema que havia recebido.
Quais eram as músicas? Por ironia, eram músicas de cantores que não me agradam muito: Vander Lee, com "Fui", e Ivete Sangalo, com "Quando a chuva passar".
É, a vida é mesmo surpreendente!!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Kundera

Ontem à noite, iniciei a leitura do "A valsa dos adeuses", do escritor tcheco Milan Kundera.
Conheci o Kundera pelo cinema: no final da década de 80 assisti à adaptação do seu livro "A insustentável leveza do ser", com o Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. Me apaixonei pela história e por esses personagens e então li esse e outros livros dele.
Lembro bem de uma cena do filme em que dois personagens brincavam com um chapéu. Além de linda, sensual e delicadíssima, a cena trazia um chapéu exatamente igual ao que havia acabado de ganhar de presente para integrar-se à minha, então tímida, coleção de chapéus.
Filme especial, presente especialíssimo de alguém muito amado. O presente, de tão lindo, foi roubado em uma festa por pura distração minha, mas a pessoa que mo deu ainda permanece intacta em meus sentimentos.
No livro que estou lendo agora, encontrei uma frase que me surpreendeu pela obviedade e, simultaneamente, pelo inusitado (aliás com o Kundera esse sentimento é recorrente). Aí vai ela:
"O ciúme possui o poder espantoso de iluminar o ser amado com raios intensos e de manter a multidão dos outros homens numa total obscuridade."
Aliás, no filme isso é muito verdadeiro no comportamento da personagem Tereza, que ilumina Thomaz com sua insistência em tê-lo por completo (o que para ela requer exclusividade).
A leveza de Thomaz pesa para ela - para ele a vida é um grande entretenimento. Talvez daí venha seu charme...
PS:
1) Essa frase me faz pensar onde colocamos nossa luz.2) A cena final do filme ficou indelével em minha memória. Acho que vou rever esse filme, me deu uma nostalgia...
3) O chapéu era igual a esse da foto.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Tatit

Faz uns meses comprei um CD do Luiz Tatit. Eu gosto muito desse Tatit - digo "desse" porque é uma família de gente com talento, tem o Paulo, tem o Jonas, ambos envolvidos no Palavra Cantada/Tocada.
O Luiz Tatit foi meu professor na faculdade e desde aquela época sou apaixonada pelo trabalho dele, além de um professor super competente - consegue explicar coisas complicadas de uma maneira simples e interessante -, é um músico criativo. Foi fundador do extinto Grupo Rumo, um dos mais interessantes que conheci, com letras acuradas.
Aliás a palavra sempre foi o forte de Tatit, por isso vou postar aqui, como homenagem, duas letras bem criativas do seu mais recente CD "Sem destino".
A primeira é a que dá nome ao disco:
"Tudo que era o meu destino
Na verdade nunca me aconteceu
Pode ter acontecido
Pra alguma pessoa
Mas não era eu
Vivo assim na vida sem previsão
Todo mundo tem destino, eu não
Nunca os fatos são de fato fatais
Não confio na fortuna jamais
Puro acaso e nada mais
Tudo que já estava escrito
No meu caso nunca se concretizou
Só talvez o aniversário
Que é na mesma data
E não se aterou
Era pra eu já ter encontrado um amor
Era pra eu já ter esquecido o anterior
Era pra eu já ter aprendido a sonhar
Era pra eu correr o mundo e voltar
Mas viagem sem destino, não dá
Quero minha sina
Quero minha sorte
Quero meu destino
Quero ter um norte
Quero ouvir uma vidente
Que me conte tudo
Só esconda a morte
Quero uma cereza mínima
Que se confirme
Que não seja trote
Por não ter o meu destino
Vivo em desatino
Como D. Quixote
Quem não tem o seu destino
Chega a noite
Pensa que tudo acabou
Se levanta muito cedo
Nunca sabe bem
Por que levantou
Nada tem urgência para cumprir
Pode virar do outro lado e dormir
Pode ficar nessa até o entardecer
Todos os amigos vão entender
Levantar sem ter destino
Pra quê?
Ser assim tão sem destino
Me preocupa muito
Me deixa infeliz
Sempre quis o meu destino
Foi o meu destino
Que nunca me quis
Mesmo algum sucesso que ele
previu
Era pra me revelar, desistiu
Acho que ele foi atrás de outro
alguém
Pois destino tem destino também
E só revela aquilo que lhe convém.
A segunda canção, chama-se "Dia sim, dia não":
Quem amou
Dia sim dia não
Só amou à prestação
Na indecisão
Teve carinho
mas nunca teve carinhão
Que é uma ternura imensa
Que pega ponta do seu pé
E vai ao topo da cabeça
É um caminhão de cafunés
Quem chorou
Dia sim dia não
Dividindo a aflição
Com a razão
Chorava menos
Mas foi chorando até o verão
Quando o prazer aumenta
Quando é melhor se animar
Pois se chora ninguém aguenta
Despeja as lágrimas no mar
Quem sofreu
Dia sim dia não
Só sofreu uma fração
Uma porção
Melancolia
Mas que virou satisfação
Mas que virou melancolia
É pra testar o coração
No desalento e na alegria
É o tiquetaque da emoção
Dia sim dia não
Um adianta, outro atrasa
A evolução
E a solução
Dia sim dia não
Um machuca, outro sopra
E fica bom
Ou quase bom
Vai se abrir, se fechar
Vai sorrir, soluçar
Vai a vida vai e volta:
Amar, chorar, sofrer
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Poeminha erótico
corpo bronzeado
cabelo penteado pelo vento
mãos audaciosas
boca atrevida
membro imponente
força e delicadeza em harmonia
cabelo penteado pelo vento
mãos audaciosas
boca atrevida
membro imponente
força e delicadeza em harmonia
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Sou como a concha que
mesmo desabitada
guarda o barulho do mar.
Tudo o que vivo
vai formando em mim uma sinfonia,
escrita na partitura, que é minha vida.
Ás vezes, a música é suave e doce, seguindo allegro
ou allegro ma non troppo ou ainda allegro molto
Outras é forte como um trovão,
como o peso de uma tempestade desabando
Prestissimo!
Às vezes, a orquestra se sai muito bem,
tudo muito harmonioso...
Outras é uma desafinação só.
O que me consola é que os desafinados também tem um coração,
que, no meu caso, é o regente dessa orquestra.
Os sons que preservo, sejam alegres ou tristes, são sempre belos...
Aqueles que não guardam beleza são apagados da partitura.
Foto: Adriana Cardoso
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Férias
As férias acabaram de acabar e eu já estou querendo mais!!!!! Certo está um amigo, ao me chamar de gulosa!!
Gulodices à parte, minhas férias foram ótimas! Além de rever os queridos amigos cariocas, conheci quatro cidades do Piauí (Piripiri, Pedro II, Parnaíba e Luís Correa) e uma do Ceará (Jericoacoara).
Os lugares são lindos, com paisagens deslumbrantes e pessoas super acolhedoras. Fiz algumas amizades nesse período que, creio, ficarão para sempre.
Visitei dois parques nacionais completamente diferentes: o das Sete Cidades e o de Jeri. Ambos de uma beleza cativante.
Descobri que além do Brasil, a lapidação da opala só é feita na Austrália e mesmo assim as pedras não têm a mesma qualidade que as nossas. (Morri de vontade de comprar um mooonte de opalas!!! Mas contive meu ímpeto consumista! rsrs)
Visitei o Delta do Rio Parnaíba, uma formação rara que só existe em três países: Brasil (no Piauí), Vietnã (Rio Mekong) e Egito (Rio Nilo). Num dos cincos braços do Parnaíba, vi até jacaré!!
Me encantei com a fragilidade de um cavalo marinho grávido (isso mesmo, nessa espécie são os machos que ficam grávidos e cuidam dos filhotes! Interessante, não?!?)
Fiquei intrigada com as inscrições rupestres - nunca havia visto tantas e tão diversas!!
Comi muuuito peixe e caranguejo e matei a vontade de patinhas de caranguejo, que adoroooo!!
Me apaixonei pela sapoti, fruta da região com um sabor leve e adocicado. Hummm, pena que aqui não tem!! (Vou procurar no mercado central, não é possivel que não ache!!).
Conferi o rico artesanato local - com bolsas de palha de carnaúba, entalhes em madeira, renda de bilro, trabalhos de pintura...
Nadei em lagoas de águas límpidas e refrescantes.
Presenciei algumas vezes o sol se pondo de uma forma tão arrebatadoramente linda que me comovi.
Enquanto o sol se punha, sempre agradecia a Deus pela vida, pela infinita beleza que há no mundo e pela oportunidade de viajar pra lugares tão sensacionais.
PS: A foto é minha e foi tirada na Praia do Atalaia, em Luís Correa/PI
Mulheres
Acabei no fim de semana o último volume da trilogia de Stieg Larsson - A rainha do castelo de ar.
Li os três volumes em cerca de 15 dias, isso porque estive viajando e o último volume não estava na bagagem. Certamente teria lido tudo em uma semana, se os livros estivessem ao meu alcance. Dá pra ter uma ideia de como fui "fisgada" pelo texto de Larsson, se considerarmos que ao todo a trilogia deve ter umas duas mil páginas.
Pelo que andei pesquisando, o autor planejava outros livros para a série Millenium. Pena que não houve tempo suficiente pra mais estórias - ele morreu pouco depois do primeiro livro ser publicado. Talvez haja um quarto livro, já que ele deixou um texto inacabado, que poderia ser finalizado por sua esposa, envolvida no processo.
O que me chamou a atenção, agora que acabei o último livro, é que as personagens mais fortes são mulheres. Além da já conhecida Lisbeth Salander, outras mulheres mostraram sua força: a editora Erika Berger, as policias Rosa e Sonja, a agente Linder e a advogada Anika. O livro é movido pela força e inteligência dessas mulheres.
Claro, tudo muito bem orquestrado por um homem: o genial Stieg Larsson.
Li os três volumes em cerca de 15 dias, isso porque estive viajando e o último volume não estava na bagagem. Certamente teria lido tudo em uma semana, se os livros estivessem ao meu alcance. Dá pra ter uma ideia de como fui "fisgada" pelo texto de Larsson, se considerarmos que ao todo a trilogia deve ter umas duas mil páginas.
Pelo que andei pesquisando, o autor planejava outros livros para a série Millenium. Pena que não houve tempo suficiente pra mais estórias - ele morreu pouco depois do primeiro livro ser publicado. Talvez haja um quarto livro, já que ele deixou um texto inacabado, que poderia ser finalizado por sua esposa, envolvida no processo.
O que me chamou a atenção, agora que acabei o último livro, é que as personagens mais fortes são mulheres. Além da já conhecida Lisbeth Salander, outras mulheres mostraram sua força: a editora Erika Berger, as policias Rosa e Sonja, a agente Linder e a advogada Anika. O livro é movido pela força e inteligência dessas mulheres.
Claro, tudo muito bem orquestrado por um homem: o genial Stieg Larsson.
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