Por que "clepsidro-me"?!?!

Leia a primeira postagem e descubra!!! (clique aqui)







segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A insustentável leveza de ser

Ontem revi o filme do Phillip Kaufman, baseado no romance do Kundera - A insustentável leveza de ser, que já havia mencionado aqui.
Tinha me esquecido como é bonito!! Novamente me emocionei com o filme!!
Enquanto assistia, algumas palavras e imagens flutuavam entre mim e a tela:

confiança


sensualidade
força bruta
amor
política
DDDDDDDDDDDDDddddddddddddddddddddddddddddddddDDDD felicidade
liberdade sssssssssssssssssssss sofrimento
leveza eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeescolhas


prazer
SSSSSSSSSSSSSSSSSS sonho
dddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd desejo


primavera de Praga (e tudo o que isso implica)
beleza
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr repressão


covardia
luta
o "meu chapéu"!!




PS: se você não entendeu o "meu chapéu", leia a postagem sobre o Kundera.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Trilha sonora


Ontem, pouco antes de sair do trabalho, recebi um grato e surpreendente telefonema e, na sequencia, fiz um que muito me agradou.
Envolta nos pensamentos sobre os telefonemas, entre os quais não havia ligação nenhuma, caminhava para o carro, que me levaria de volta pra casa, depois de mais um dia árido no trabalho.

Entrei no carro e liguei o rádio, automaticamente. Entretanto, a música logo me tirou do automático.

Quando começou, a canção se entrelaçou aos pensamentos "já pensados" e impôs outros novos, "impensados": pensei que se eu estivesse num filme, essa seria a hora de soltar a trilha.
(Vocês certamente já repararam que em praticamente toda cena de filme tem uma música? Se o mesmo acontecesse na vida real, seria insuportável, ao menos pra mim que gosto muito de ouvir o silêncio)

Ri de meus pensamentos - constantemente meus pensamentos tiram risos marotos de minha boca - e entrei no jogo cinematográfico.

A música que estava tocando, por puro acaso, poderia muito bem servir de trilha para o telefonema que havia acabado de dar. Quase todos os seus versos se encaixavam na relação que tinha com o meu interlocutor.

Eu ainda pensava na coincidência entre a arte e a vida, quando desconfiei que o DJ da rádio estava brincando comigo (ou seria o "destino" me mandando um recado?): a próxima música também serviria de fundo musical, mas dessa vez para o telefonema que havia recebido.

Quais eram as músicas? Por ironia, eram músicas de cantores que não me agradam muito: Vander Lee, com "Fui", e Ivete Sangalo, com "Quando a chuva passar".
É, a vida é mesmo surpreendente!!




quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Kundera



Ontem à noite, iniciei a leitura do "A valsa dos adeuses", do escritor tcheco Milan Kundera.


Conheci o Kundera pelo cinema: no final da década de 80 assisti à adaptação do seu livro "A insustentável leveza do ser", com o Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. Me apaixonei pela história e por esses personagens e então li esse e outros livros dele.


Lembro bem de uma cena do filme em que dois personagens brincavam com um chapéu. Além de linda, sensual e delicadíssima, a cena trazia um chapéu exatamente igual ao que havia acabado de ganhar de presente para integrar-se à minha, então tímida, coleção de chapéus.


Filme especial, presente especialíssimo de alguém muito amado. O presente, de tão lindo, foi roubado em uma festa por pura distração minha, mas a pessoa que mo deu ainda permanece intacta em meus sentimentos.


No livro que estou lendo agora, encontrei uma frase que me surpreendeu pela obviedade e, simultaneamente, pelo inusitado (aliás com o Kundera esse sentimento é recorrente). Aí vai ela:


"O ciúme possui o poder espantoso de iluminar o ser amado com raios intensos e de manter a multidão dos outros homens numa total obscuridade."

Aliás, no filme isso é muito verdadeiro no comportamento da personagem Tereza, que ilumina Thomaz com sua insistência em tê-lo por completo (o que para ela requer exclusividade).

A leveza de Thomaz pesa para ela - para ele a vida é um grande entretenimento. Talvez daí venha seu charme...

PS:

1) Essa frase me faz pensar onde colocamos nossa luz.
2) A cena final do filme ficou indelével em minha memória. Acho que vou rever esse filme, me deu uma nostalgia...
3) O chapéu era igual a esse da foto.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tatit


Faz uns meses comprei um CD do Luiz Tatit. Eu gosto muito desse Tatit - digo "desse" porque é uma família de gente com talento, tem o Paulo, tem o Jonas, ambos envolvidos no Palavra Cantada/Tocada.

O Luiz Tatit foi meu professor na faculdade e desde aquela época sou apaixonada pelo trabalho dele, além de um professor super competente - consegue explicar coisas complicadas de uma maneira simples e interessante -, é um músico criativo. Foi fundador do extinto Grupo Rumo, um dos mais interessantes que conheci, com letras acuradas.

Aliás a palavra sempre foi o forte de Tatit, por isso vou postar aqui, como homenagem, duas letras bem criativas do seu mais recente CD "Sem destino".

A primeira é a que dá nome ao disco:

"Tudo que era o meu destino
Na verdade nunca me aconteceu
Pode ter acontecido
Pra alguma pessoa
Mas não era eu
Vivo assim na vida sem previsão
Todo mundo tem destino, eu não
Nunca os fatos são de fato fatais
Não confio na fortuna jamais
Puro acaso e nada mais

Tudo que já estava escrito
No meu caso nunca se concretizou
Só talvez o aniversário
Que é na mesma data
E não se aterou
Era pra eu já ter encontrado um amor
Era pra eu já ter esquecido o anterior
Era pra eu já ter aprendido a sonhar
Era pra eu correr o mundo e voltar
Mas viagem sem destino, não dá

Quero minha sina
Quero minha sorte
Quero meu destino
Quero ter um norte
Quero ouvir uma vidente
Que me conte tudo
Só esconda a morte
Quero uma cereza mínima
Que se confirme
Que não seja trote
Por não ter o meu destino
Vivo em desatino
Como D. Quixote

Quem não tem o seu destino
Chega a noite
Pensa que tudo acabou
Se levanta muito cedo
Nunca sabe bem
Por que levantou
Nada tem urgência para cumprir
Pode virar do outro lado e dormir
Pode ficar nessa até o entardecer
Todos os amigos vão entender
Levantar sem ter destino
Pra quê?

Ser assim tão sem destino
Me preocupa muito
Me deixa infeliz
Sempre quis o meu destino
Foi o meu destino
Que nunca me quis
Mesmo algum sucesso que ele
previu
Era pra me revelar, desistiu
Acho que ele foi atrás de outro
alguém
Pois destino tem destino também
E só revela aquilo que lhe convém.


A segunda canção, chama-se "Dia sim, dia não":

Quem amou
Dia sim dia não
Só amou à prestação
Na indecisão
Teve carinho
mas nunca teve carinhão
Que é uma ternura imensa
Que pega ponta do seu pé
E vai ao topo da cabeça
É um caminhão de cafunés

Quem chorou
Dia sim dia não
Dividindo a aflição
Com a razão
Chorava menos
Mas foi chorando até o verão
Quando o prazer aumenta
Quando é melhor se animar
Pois se chora ninguém aguenta
Despeja as lágrimas no mar

Quem sofreu
Dia sim dia não
Só sofreu uma fração
Uma porção
Melancolia
Mas que virou satisfação
Mas que virou melancolia
É pra testar o coração
No desalento e na alegria
É o tiquetaque da emoção

Dia sim dia não
Um adianta, outro atrasa
A evolução
E a solução
Dia sim dia não
Um machuca, outro sopra
E fica bom
Ou quase bom
Vai se abrir, se fechar
Vai sorrir, soluçar
Vai a vida vai e volta:
Amar, chorar, sofrer

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Poeminha erótico

corpo bronzeado
cabelo penteado pelo vento
mãos audaciosas
boca atrevida
membro imponente

força e delicadeza em harmonia

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


Sou como a concha que
mesmo desabitada
guarda o barulho do mar.

Tudo o que vivo
vai formando em mim uma sinfonia,
escrita na partitura, que é minha vida.

Ás vezes, a música é suave e doce, seguindo allegro
ou allegro ma non troppo ou ainda allegro molto

Outras é forte como um trovão,
como o peso de uma tempestade desabando
Prestissimo!


Às vezes, a orquestra se sai muito bem,
tudo muito harmonioso...

Outras é uma desafinação só.

O que me consola é que os desafinados também tem um coração,
que, no meu caso, é o regente dessa orquestra.

Os sons que preservo, sejam alegres ou tristes, são sempre belos...
Aqueles que não guardam beleza são apagados da partitura.


Foto: Adriana Cardoso

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Férias



As férias acabaram de acabar e eu já estou querendo mais!!!!! Certo está um amigo, ao me chamar de gulosa!!

Gulodices à parte, minhas férias foram ótimas! Além de rever os queridos amigos cariocas, conheci quatro cidades do Piauí (Piripiri, Pedro II, Parnaíba e Luís Correa) e uma do Ceará (Jericoacoara).

Os lugares são lindos, com paisagens deslumbrantes e pessoas super acolhedoras. Fiz algumas amizades nesse período que, creio, ficarão para sempre.

Visitei dois parques nacionais completamente diferentes: o das Sete Cidades e o de Jeri. Ambos de uma beleza cativante.

Descobri que além do Brasil, a lapidação da opala só é feita na Austrália e mesmo assim as pedras não têm a mesma qualidade que as nossas. (Morri de vontade de comprar um mooonte de opalas!!! Mas contive meu ímpeto consumista! rsrs)

Visitei o Delta do Rio Parnaíba, uma formação rara que só existe em três países: Brasil (no Piauí), Vietnã (Rio Mekong) e Egito (Rio Nilo). Num dos cincos braços do Parnaíba, vi até jacaré!!

Me encantei com a fragilidade de um cavalo marinho grávido (isso mesmo, nessa espécie são os machos que ficam grávidos e cuidam dos filhotes! Interessante, não?!?)

Fiquei intrigada com as inscrições rupestres - nunca havia visto tantas e tão diversas!!

Comi muuuito peixe e caranguejo e matei a vontade de patinhas de caranguejo, que adoroooo!!
Me apaixonei pela sapoti, fruta da região com um sabor leve e adocicado. Hummm, pena que aqui não tem!! (Vou procurar no mercado central, não é possivel que não ache!!).

Conferi o rico artesanato local - com bolsas de palha de carnaúba, entalhes em madeira, renda de bilro, trabalhos de pintura...

Nadei em lagoas de águas límpidas e refrescantes.

Presenciei algumas vezes o sol se pondo de uma forma tão arrebatadoramente linda que me comovi.
Enquanto o sol se punha, sempre agradecia a Deus pela vida, pela infinita beleza que há no mundo e pela oportunidade de viajar pra lugares tão sensacionais.
PS: A foto é minha e foi tirada na Praia do Atalaia, em Luís Correa/PI


Mulheres

Acabei no fim de semana o último volume da trilogia de Stieg Larsson - A rainha do castelo de ar.
Li os três volumes em cerca de 15 dias, isso porque estive viajando e o último volume não estava na bagagem. Certamente teria lido tudo em uma semana, se os livros estivessem ao meu alcance. Dá pra ter uma ideia de como fui "fisgada" pelo texto de Larsson, se considerarmos que ao todo a trilogia deve ter umas duas mil páginas.
Pelo que andei pesquisando, o autor planejava outros livros para a série Millenium. Pena que não houve tempo suficiente pra mais estórias - ele morreu pouco depois do primeiro livro ser publicado. Talvez haja um quarto livro, já que ele deixou um texto inacabado, que poderia ser finalizado por sua esposa, envolvida no processo.
O que me chamou a atenção, agora que acabei o último livro, é que as personagens mais fortes são mulheres. Além da já conhecida Lisbeth Salander, outras mulheres mostraram sua força: a editora Erika Berger, as policias Rosa e Sonja, a agente Linder e a advogada Anika. O livro é movido pela força e inteligência dessas mulheres.
Claro, tudo muito bem orquestrado por um homem: o genial Stieg Larsson.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sequestro

Esses dias fui sequestrada. O nome dos sequestradores: Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander.
Esses são os personagens centrais do romance "Os homens que não amavam as mulheres", do sueco Stieg Larsson.
Comecei a ler o livro tão depretenciosa quanto ingenuamente e não pude mais largá-lo. Esses dias, por volta das oito da noite, retomei a leitura, que estava lá pela página 260 (são mais ou menos 520 páginas) e não parei até que terminasse o livro - isso já era duas e meia da manhã! - pois eu PRECISAVA saber o que ia acontecer!
Adorei esses personagens, eles são originais e bem construídos (acho que as "pontas soltas" das personagens vão se resolver no próximo livro). A prosa de Larsson flui, sua linguagem é espontânea e atual. É verdade que o tema é bem violento, mas o leitor fica preso na rede de informações e tenta a todo custo montar o "quebra-cabeça" do enredo. Tentativa inútil, pois o livro é surpreendente.
Já havia sido sequestrada outras vezes, as duas mais recentes pelo Miguel Sousa Tavares, com seu "Equador" e pelo Agualusa, com seu apaixonante "As mulheres de meu pai". Mas nenhuma com tanta força como dessa vez.
Acho que fiquei com a "sindrome de Estocomo" (segundo os psicólogos, ela se dá quando o sequestrado se apaixona pelo sequestrador), pois assim que terminei o livro, encomendei os dois outros que compõem a trilogia Millennium. Acho que realmente me apaixonei pelo jornalista e pela hacker de Estocomo!!
Faltam pouco menos de 200 páginas para terminar o segundo volume e já me arrependo de não ter trazido na viagem o terceiro!!!
Bem, terei que esperar pra saber como termina essa saga. Será que aguento?!?!?!

PS: Foi lançado recentemente um filme baseado no primeiro volume da série, contudo eu não tenho a menor intenção de ver, pois os "meus" personagem certamente são bem mais interessantes que os do diretor do filme. Mas fica ai a dica.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gullar


Depois de 11 anos de jejum, ontem foi o lançamento do livro "Em alguma parte alguma", do poeta Ferreira Gullar (mais um pra minha lista...).

Na sessão de autógrafos, que foi na Livraria da Travessa, no Rio, ele disse uma coisa com a qual concordo:

"O poeta não acredita na verdade com "V" maiúsculo, ele sabe que o mundo é caótico e não tem explicação, por isso está mais receptivo a apreendê-lo tal como é" .

Na verdade, eu acho que qualquer expressão artística deve ser assim, pois a verdade depende da miopia dos olhos que a veem (vocês lembram do post sobre o poema "A verdade dividida", do Drummond? Se não me engano postei em março do ano passado...)

Ele falou outra coisa que também acontece comigo: "Escrevo para me livrar de uma emoção. Ninguém consegue ficar emocionado o tempo todo".

No meu caso, ao escrever, eu deixo a emoção fluir, portanto me "livro" dela, mas ao mesmo tempo eu capturo-a, como numa fotografia, assim ela passa a me pertencer para sempre...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os embalos de sábado à noite






Se vocês pensaram que esse post é sobre
o John Travolta ou os anos 70/80,
estão muito enganados.


Na verdade esse texto é sobre uma saborosa e divertida noite de sábado, embalada pelas histórias deliciosas do Mia Couto e do José Eduardo Agualusa (na foto, tirada pela minha mais recente amiga, Ludmilla Jones).




Os dois escritores africanos participaram da Bienal do Livro e eu tive o prazer de ouví-los.



Eu, desde que conheci os livros deles, virei fã incondicional - ano passado passei por uma febre africana, que não havia espaço pra outras culturas na minha estante. Esse ano dei uma variada, por isso ainda não li o último do Agualusa, mas já está na lista e, depois da Bienal, talvez até fure a fila!!





Pelos livros, não podia imaginar quão engraçados eram os dois! Ouvi histórias divertidíssimas.


O Agualusa tem razão ao falar que os africanos salvaram o Brasil da melancolia portuguesa!!



Pra não dizer que tenho preferência por um ou por outro, vou contar uma história de cada! Lá vai, primeiro a do Mia, o poeta que conta histórias.



Ele, que é de Moçambique, diz que quanto menor a cidade, mas sentimentais e calorosas são as despedidas - até parece que não se vai voltar! E não foi diferente quando veio a primeira vez ao Brasil, país sobre o qual os africanos não conhecem muito (assim como nós pouco conhecemos a respeito da África).



Depois das numerosas e intensas despedidas, Mia embarcou para São Paulo. De sua mente não saia a ideia de uma metrópole violenta, na qual estaria exposto a muitos riscos.



Ao chegar no aeroporto, encontrou seu nome escrito numa placa que parecia improvisada. O homem que segurava a placa pareceu-lhe um tipo estranho! Voltou-lhe à mente os perigos da viagem... O estado do veículo que os esperava não tranquilizou nem um pouco o visitante, que já anteviu a tragédia... mas mesmo assim entrou no carro.



Com esses pensamentos na cabeça, percebeu, pelo vidro do carro, a aproximação de um objeto metálico e ouviu uma voz: O senhor quer uma balinha...



Sem saber que "balinha", além de projétil, também significa um tipo de doce, Mia pensou que seria morto pelo assassino mais gentil do planeta!!!



Em uma das inúmeras vezes que esteve no Brasil, o Agualusa teve a seguinte conversa com um taxista:


- De onde o senhor é?
- Sou de Angola - responde o escritor.
- Mas fica em que estado? - retruca o motorista
- Não fica no Brasil. Fica na África.
- Ahhh. Eu queria te parabenizar porque você fala muito bem português!



É realmente impressionante o desconhecimento que temos sobre a África portuguesa e eles sobre nós!! Uma pena, pois a literatura africana lusófona me parece muito rica e seus autores - ao menos os poucos que conheço - são muito instigantes.


Vale a pena ler não só os dois autores citados, mas outros, como o Pepetela, o Manuel Lima, o Rui Duarte de Carvalho (citado com muita emoção no encontro da Bienal), o Ondjaki, entre outros. Muitos estão na minha lista, que engorda dia-a-dia!!



O mais interessante na literatura africana, pra mim, é que ela é muito diversa, assim como o é a África, e por isso mesmo me proporciona várias supresas, não só na linguagem e na língua - que é mesma e é outra -, como na visão de mundo. Cada vez mais me interesso por ela ou por elas, pois como diz o Ondjaki: "porque África são muitas, e várias e tantas".






PS: Claro que a transcrição da conversa entre o Agualusa e o taxista não é literal, é o que minha memória afetiva guardou. Contudo, se você quiser ouvir essa e outras histórias acesse o link abaixo e divirta-se também.



http://www.youtube.com/user/bienaldolivrosp#p/search


Em tempo: Espero que a situação em Maputo - capital de Moçambique - tenha um bom termo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Surf


De uns tempos pra cá ando com umas vontades que nunca tive: começar a correr, conhecer Budapeste, fazer artesanato em peças de madeiras, confeccionar uns colares com retalhos de tecidos, aprender a surfar...

Eu sempre gostei de água, mas nunca tinha cogitado a ideia de surfar! O surf me parece que dá uma adrenalina danada e também um contato diferente com o mar! Além de uma liberdade incrível.

A ideia de liberdade sempre me atraiu - gosto de saber que posso decidir segundo minha vontade, que posso seguir a intuição, que posso experimentar, que posso inventar e reinventar.

Hoje estava lendo um livro, o romance "Amar de olhos abertos", de Jorge Bucay e Silvia Salinas, e me deparei com uma metáfora inusitada, mas com a qual concordo inteiramente:

"Podemos viver a vida como se fôssemos um condutor de metrô, sabendo exatamente aonde ir e como é o caminho. Ou então podemos viver como um surfista, seguindo a onda"

Pra mim essa ideia é fascinante!! Viver cada dia, inventar o seu jeito de fazer as coisas, ver qual onda você pegar, qual você vai deixar passar, sem se preocupar com o "modo certo de se fazer"! Isso é viver intensamente, com curiosidade e criatividade!

No livro também tem a seguinte passagem:

"A vida não consiste em cumprir certos objetivos predefinidos; assim seria muito chata. É diferente se nos propusermos a ver o que acontece e decidir como agir à medida que as situações vão surgindo. Muitas angústias e depressões são geradas porque temos uma ideia predefinida de aonde queremos ir (ou porque compramos a ideia de outros a respeito do aonde nós queremos ir - esse comentário é meu, sorry, não resisti) e, quando o plano não funciona ficamos frustados. (...) A vida é mais suportável se adotamos a atitude do surfista: são as ondas que marcam o caminho, não minha ideia de aonde tenho que chegar. É melhor descobrirmos o caminho conforme as pedras que vamos encontrando"

Isso me lembra uma amiga, que sempre cita os versos de Antonio Macahdo: "Caminante, no hay camino... se hace el camino al andar"

E você, prefere o metrô ou a prancha??














segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Epitáfio (?)

Outro dia aconteceu algo interessante. Estava dirigindo e pouco antes de chegar, à noite, em casa, começou a tocar no rádio a música "Epitáfio", dos Titãs. Fiquei um pouco no carro, ouvindo a música, da qual gosto muito. Fiquei pensando na letra e decidi escrever um texto inspirado nela.
No dia seguinte, ao pegar o carro, advinhe o que estava tocando? Isso mesmo - Epitáfio.
Parece que o texto estava me lembrando que precisava de alguém pra escrevê-lo (os textos têm vida própria, só nos usam para escrever, porque não sabem manusear o lápis nem o teclado!)
Quando cheguei em casa, ao final do dia, fui ver minha irmã. E ela me emprestou uns livros, entre eles um do Mario Sergio Cortella, que foi professor dela e a quem conheci por seu intermédio.
Vocês conhecem o "Não espere pelo epitáfio..."? Ainda não li, mas tenho certeza de que era mais um recado do meu texto pronto pra surgir...
Pois bem, aqui está o texto.
Mas se fui usada para escrevê-lo, devo ter o direito de batizá-lo como bem entendo. E meu texto não se chama epitáfio, pois quero celebrar a vida e a poesia e também a poesia da vida!
Chama Poética, em homenagem ao Vinícius de Moraes, que tem um poema com esse nome e que soube aproveitar a vida.


Poética
Quero amar mais,
E chorar menos,
E nunca sentir raiva,
E perdoar sempre - a mim e aos outros.

Quero ver, muitas e muitas vezes, o sol nascer.
Quero ver, muitas e muitas vezes, a lua brilhar.
E viver cada segundo entre um e outro.

Quero aprender, nem que para isso tenha que errar.
Quero, especialmente, aprender a não me culpar pelos erros.

Quero aceitar as pessoas como elas são,
não quero mais tentar mudá-las.
Quero perceber a dor e a alegria
que cada um carrrega dentro de si e que eu carrego em mim.

Quero fazer o que meu coração mandar
Quero que meu coração se entenda com minha razão.

Creio que Deus vai me proteger
quando coração e mente discordarem.

Creio que Deus vai me proteger
por onde quer que vá.

Quero trabalhar no que me dá prazer.

Quero ver o sol se pôr, seja como for:
no trânsito, da janela do meu trabalho, de um montanha...
Quero ter olhos para ver a beleza onde ela está.

Quero dar aos problemas a dimensão exata que eles têm.
Quero sempre me lembrar que nenhum problema é maior que meu Deus.

Creio que Deus vai me proteger
quando um problema vier.

Creio que Deus vai me proteger
por onde quer que vá.
Ao me envolver, você me torna leve.
No seu silêncio, ouço minha voz mais profunda e discreta.
Perco a noção do tempo, quando mergulho em suas águas mornas,
É como se não existisse nada lá fora.
Só eu e sua calma, que me acalma.

Meu corpo responde aos seus estímulos involuntários.
Ponho-me em movimento
E você os acolhe, embora eles te agitem.

Quando canso, você prepara o leito
Leito calmo como o de um rio suave,
onde correm as águas da vida.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


Outro dia fui ao shopping comprar um presente de aniversário para uma amiga.

Estava eu saindo satisfeita com o presente, pois havia encontrado um que ela iria gostar (pelo menos era o que supunha), quando um rapaz veio me fazer uma pergunta qualquer.

Respondi e ficamos conversando um pouco. Lá pelas tantas, ele me perguntou:

- Qual sua graça?

Já haviam me feito essa pergunta, desse mesmo jeitinho, mas toda vez me surpeendo e tenho vontade de responder:

- Olha, eu não sei contar piada muito bem, pelo menos ninguém ri com entusiasmo quando eu conto, nem sei malabares ou acrobacias, não faço caretas engraçadas, também não saio por ai vestida de palhaço ou com o rosto pintado... Mas, de vez em quando, faço uns comentários que tiram gargalhadas das pessoas. E você, qual sua graça? Sabe contar piada? Me conta uma?

Claro, que não respondi assim, senão o pobre rapaz não ia ver nenhuma graça nessa brincadeira, mas não sei se me seguro da próxima vez!!

(Será que sou a única que tem esses pensamentos engraçados?!?!)