Por que "clepsidro-me"?!?!

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Dúvida Azul


No meio da noite me assalta
uma dúvida azul.

Ela já havia sido anunciada
é um assalto esperado.

Como, ingenuamentente, fui me deixando envolver?
Talvez fosse o desejo, saindo de seu esconderijo
Há muito ele estava guardado,
junto com o encantamento das emoções adolescentes.

Será que jogo esse jogo?
(Ao contrário do que pensas, não é fácil ficar na torcida)

Será que topo essa brincadeira séria?
Não sei.

O azul ainda é agitação.
A calmaria ainda não chegou.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher


Hoje me dei conta de que não há nenhuma poesia feita por uma mulher neste blog (as minhas não contam, pois não posso compará-las às dos escritores e escritoras que admiro).
Resolvi corrigir esse "escorregão" e não haveria data mais apropriada que essa.
Devo confessar que os poetas me tocam mais que as poetisas (alguns não aceitam essa palavra, mas eu gosto, lembra sacerdotisa).
Mas se há uma mulher que me comove com seus textos, é a Adélia Prado.
Linda, linda, linda! E divertida! Tocante, sempre!!
Me bateu um desejo incontrolável por Adélia, igual àqueles por chocolate!!! (quem me conhece sabe quão avassalador é meu vício por chocolate!)
Para aplacar o desejo e em homenagem às mulheres, aí vai o verso final do poema Com licença poética
"Mulher é desdobrável. Eu sou"

Silencio


Foi me imposto o silêncio
como condição pra continuar a viver.

Por que minhas palavras ofendem tanto?
Será que porque nelas há alguma verdade,
que você não quer ver?

Por que tanta raiva?
Acho que o fato de minha vida ser diferente da sua
lhe é quase insuportável.

Por que acha que o canto é pra irritar?
Talvez porque não veja mais motivos pra celebrar a vida...
(Mas antes, você sempre via um motivo pra comemorar, sorrir, festejar... Aprendemos isso com você! O que mudou?!?!)

Me sinto uma intrusa, invasora, estrangeira.
Essa pátria não é minha.

Não quero uma pátria cinza,
onde há sempre o risco de um ataque aéreo.
Uma pátria em que a amargura é a rainha e o ressentimento, o rei.

Quero o contrário disso, a alegria das cores, a felicidade de estar vivo, o perdão a si e aos outros, a conversa constante e o respeito pelo diferente.

Hoje me calo.
Mas a "boca fala do que o coração está cheio".

Meu coração não é um deserto,
sei que o silêncio não é para sempre.

Meu coração é Mata Atlântica.
Hoje é dia de tempestade. A vida se recolhe.
Mas, amanhã, com sol, a vida se renova.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Bandeira


Um dos meus poetas preferidos é o Manuel Bandeira.
Contra solidão, tristeza e qualquer doideira, vou de Manuel Bandeira.
Pra comemorar a alegria, também levanto essa Bandeira!

Quando cheguei no trabalho hoje cedo, vieram me devolver um livro dele.
Claro que não resisti e reli alguns poemas.

Aí vai uma amostra, desse poeta do cotidiano:

"Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!" (do poema Não sei dançar)

"Não quero mais saber do lirismo que não é libertação." (do poema Poética)

Irene no céu

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro Bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Poema só para Jaime Ovalle

Quando hoje eu acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

Quero

Não aprendi a lição da Cecília:
ou isto ou aquilo

Quero o anel e a luva;
o doce e o dinheiro

Quero tudo! Quero já!

Quero o tempo todo,
não quando o tempo dá!

Quero inteiro
Quero mais que inteiro - quero um e meio!

Quero, como nunca...
Quero intensamente,
sem pudor ou prudência!

Quero com ardor e pavor

Quero com o tato, a visão, o olfato
Quero com gosto, quero com barulho

Quero porque quero!
(Mas não é capricho - é paixão!)



Beijos com sabor de Sagatiba.
Assim como a bebida, o desejo esquenta os corpos,
antes distantes, agora próximos.

Aos poucos, eles vão perdendo a consciência do que os rodeia...
As coisas, por um momento, parecem não ter importância.
O importante é o instante cristalizado e o desejo transbordante...

- O que você está fazendo aqui?
- Eu? Estou vivendo...
E você? Sabe o que está fazendo?

(Será que eu sei?!?!)

terça-feira, 2 de março de 2010

Rosa


Guimarães Rosa é um ecritor pra ler aos poucos, se deliciando a cada página com sua saborosa linguagem.

Ler Rosa é como experimentar um prato exótico: primeiro vem o estranhamento, o susto; depois gostamos, apreciamos a mistura das especiarias.

Reli, esses dias, umas frases dele e depois do (re)susto, me encantei, de novo:

"Digo direi de verdade: eu estava bêbado de meu."

"O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."


PS: As frases, inclusive a da foto, estão no Grande Sertão: Veredas
PS': A foto foi tirada por mim, na exposição do Rosa, no Museu da Língua Portuguesa

Mindlin


No domingo passado morreu, aos 95 anos, o maior bibliófilo do Brasil - José Mindlin.
Desde os 13 anos ele colecionava livros. Em 2006, doou cerca de 45 mil livros pra USP, pois acreditava que mais gente deveria ter acesso a eles.
Uma vez ouvi, numa entrevista, ele dizendo que a "picada" do vírus da leitura era incurável.
Mas, na minha opinião, a mais tocante frase dele é: "Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver."
Como homenagem, transcrevo o que Dora Kramer publicou, sobre ele, na sua coluna de hoje do Estadão: "Não é sempre, mas de vez em quando soa injusto quando a natureza apilca a regra geral da inexorabilidade da partida".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A linha
juntando a pele cortada,
tingida de roxo
e inchada

Tempo, tempo, tempo
Tempo para o corpo se recuperar

Tempo pra tudo voltar ao que era,
pra desinchar,
desdoer
e sarar.

Quanto tempo até brincar,
sambar,
nadar
e não pensar?

Apenas seguir, feliz, o desejo...

Drea




Pensando nesse monte de presentes que recebi recentemente, tentei saber de qual deles eu havia gostado mais. Impossível escolher, pois cada um tem sua própria história e me lembra uma pessoa querida.
Mas o melhor presente que recebi em toda a minha vida é muito fácil de saber. E nem foi no meu aniversário. Foi no meu desaniversário: 23 de junho de 1975!
(Pra quem não sabe, desaniversário é o dia do seu aniversário em outro mês. Minha mãe gostava tanto de festa, que às vezes ela comemorava o desaniversário, na falta de pretexto melhor!!).
Eu tinha 5 anos e meio. Naquela época eu não tinha a menor condição de avaliar como ele seria importante na minha vida. Mas sabia que dali pra frente as coisas não seriam iguais.
A primeira mudança é que meu cachorrinho foi imediatamente doado! Minha mãe, radical, decretou: Cachorro e recém-nascido não combinam!! E lá se foi o podlle que destruia todos os meus bichinhos de pelúcia. Mais tarde essa função seria exercida pela minha irmã, a recém-nascida em questão.
Sem sombra de dúvida, o melhor presente da minha vida foi minha irmã. Aprendi e aprendo muito com ela, sempre.
Imediatamente, graças a sabedoria da Mamãe, criamos um vínculo muito forte. Somos completamente diferentes, mas não desgrudávamos pra nada e nunca brigávamos!!
Até hoje a Mamãe diz que eu e a Dé nos unimos contra ela!!! (puro exagero, mas tudo bem)
Até hoje somos muito unidas. E espero que isso seja assim eternamente.
A Dé é uma pessoa muito especial, de uma paciência ímpar, extremamente companheira, de uma inteligência veloz e bem-humorada. Nunca vi pessoa mais prestativa que ela - mesmo morta de cansaço, ela está disposta a ajudar (às vezes até brigo com ela, pois acho que abusam disso). Generosa é uma palvra que também se aplica a ela, tem um coração de ouro!
Faz amigos com muita facilidade, uma das primeiras lições que recebi dela foi me permitir experimentar coisas e pessoas diferentes. Aliás, tolerância com o diferente também é uma lição de sua sempre sábia cartilha.
Morro de rir com ela! E nos entendemos só de olhar.
Ela é a minha grande e sempre presente amiga. É a melhor irmã que existe, mesmo quando brigamos, o que é raríssimo.
Querida Irmazinha, eu te amo muuuuuuuito!! Não posso imaginar minha vida sem você e meus dois sobrinhos lindos, presentes valiosos que você me deu.
Não há como expressar o amor que sinto por vocês!! Nem um milhão de palavras seriam suficientes pra isso.
Amo vocês, muito, muito, muito, muito, muito, muito!!!!!!!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Homenagem aos amigos


Em dezembro, como é Natal e meu aniversário, eu costumo receber muitos presentes. Em janeiro, como o povo sai de férias, também recebo mimos de vários lugares.
Meus amigos normalmente me conhecem bem, por isso sempre gosto dos presentes que recebo: a carteira de pano, classificada como carnavalesca por um amigo (adorei a classificação, pois lembra alegria!); a blusa de puro algodão de Recife (além de linda, é ecologicamente correta!); os chocolates que devoro num minuto; o vestido branco, que não serviu, por isso troquei por uma calça da mesma cor super descolada; os livros que não vejo a hora de ler; o colar com a inicial do meu nome que queria há tanto tempo, mas tava difícil de achar; a bolsa super fashion e versártil; uma canequinha colorida pra alegrar minha mesa de trabalho; uma semana "free" na casa da praia; o vestido tomara-que-caia verde....

Mais ou menos uma semana depois de começar esse texto, recebo o telefonema de um amigo, dizendo que tinha me mandado um Sedex.

Coincidentemente, ele estava me mandando os presentes que tinha comprado pra mim em sua última viagem de férias. Já fazia um tempão que ele tinha me falado desses presentes, nós já nos encontramos algumas vezes desde que ele voltou, mas nenhum de nós lembrou dos tais presentes.

Quando abri a caixa do correio, fiquei encantada!! Não exatamente com os presentes, os quais adorei, mas com a carta que os acompanhava. Meu amigo é apaixonado por história e suas viagens seguem os roteiros dessa paixão. Então, ele me trouxe lembranças de diversos países e relacionou cada ítem, pra que eu soubesse onde foi comprado e qual sua história. Adorei os presentes - todos muito fofos! - mas sua atenção em contar a história, como ele faria pessoalmente, me deixou comovida.

Na verdade, esse texto é muito mais um pretexto pra falar do valor das amizades. Meus amigos fazem parte da minha vida de uma forma muito cara. Cada um, a seu modo, me inspira, me alegra, me dá força, me apóia e me ajuda a ser feliz!

Definitivamente, sou uma pessoa muito abençoada!! Tenho bons e sinceros amigos. Pra mim eles valem ouro e minha vida não seria tão colorida sem eles!! O melhor presente que recebo de cada um deles é a amizade e o carinho que tornam minha minha vida muito mais saborosa!!

Queridos, muito obrigada por sua amizade!!


A beleza de Pessoa


Estava lendo um pouco do Fernando Pessoa, não resisti e copiei o poema abaixo:


Um Dia de Chuva


Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pra agradar o Dany

Esse texto já está sendo gestado há meses - começou em abril/09. Acho que agora chegou a hora do parto.
Não escrevi antes porque não queria ser mal compreendida, quando disse ao Dany que iria escrever um texto pra ele, ele me entendeu mal, desconfiou que eu queria tirar alguma vantagem disso. Então, deixei o tempo passar, pra ele ter certeza de que eu queria apenas escrever sobre o mote que ele me deu, sem nem saber o que estava fazendo.
Mas, você deve estar se perguntando: quem é o Dany? Deveria conhecê-lo? Deveria, sim. Porque ele é um cara muito legal. Mas, provavelmente, você não o conhece, porque ele não é famoso.
Dany é, acima de tudo, um ser humano.
Nossa, que descoberta!!, diria você, irônico leitor (por falar em ironia, eu tô meio machadiana, né? Não no talento, claro, mas na mania de falar com o leitor).
Digo isso porque hoje é comum encontrar pessoas que são muito pouco humanas. Considero isso uma qualidade, e das grandes.
Dany é um professor (entre outras coisas) que se preocupa realmente em ensinar, que está mesmo preocupado se seu aluno entendeu o que tá sendo discutido em sala de aula. Só isso já me faz gostar dele.
Mas tem mais, ele é um sonhador. Ele sonha com pessoas que queiram realmente refletir sobre a realidade, sobre o que acontece hoje no mundo. Apesar dos obstáculos, ele crê que é possível melhorar o mundo com a reflexão crítica.
E por que eu chamo isso de sonho? Porque, infelizmente, eu vi que a maioria dos alunos dele não estava muito interessada nisso.
Mas eu também sonho com isso, talvez por isso tenha simpatizado com ele logo de cara.
Sonho árduo o nosso, né, Dany?! Mas, como dizia o Raul Seixas, "sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade." Vamos sonhando e construindo o sonho, dia a dia.
Taí, minha homenagem pro Dany, um sujeito que eu aprendi a respeitar.

Parafraseando Drummond


Nestas festas de fim de ano, quando a família se reúne, tem sempre alguém que relembra alguma história.



Pois bem, em casa não é diferente. Dessa vez a incumbência coube à Mamãe, que contou o que todos já sabíamos, mas adoramos ouvir de novo.

Quando meu sobrinho era bem menor, devia ter uns 4 anos ou menos, ele queria entender a agitação que tomava conta da casa em dezembro. O Natal ele entendia perfeitamente - dia em que o Papai Noel traz um monte de presentes.

Mas e o Ano Novo? O que era aquilo? Ele nem conseguia entender direito a contagem de um dia (cá pra nós, eu também não entendo bem - o tempo é um mistério pra mim), quanto mais de 365 deles!!!
Na tentativa de esclarecê-lo, minha Mãe disse que um ano ia começar naquela noite e falou toda a coisa de renovação, recomeço, etc, etc, etc....
Ao que tudo indicava, ele entendeu e se satisfez com a explicação. A festa de Ano Novo estava garantida - para todos. Lá fomos nós à comemoração.

Quando voltamos pra casa, depois da virada de ano, o menino fez uma rápida, mas minuciosa, inspeção na casa e indignou-se: "Está tudo como antes!!! Nada mudou!!"
Sem saber, ele estava parafraseando Drummond. O mineiro tem um poema maravilhoso sobre ano novo, chama-se "Receita de Ano Novo". Nele, Drummond diz que nada vai mudar porque decidimos que não é mais 2009 e agora é 2010 (claro que ele não usa esses números, né?!?!?).
Foi o que meu querido sobrinho constatou indignado: nada muda só porque a gente saiu pra comemorar o ano novo!! Esse papo de ano novo, se não tiver uma ação concreta da nossa parte é pura balela!

Não sei o que meu sobrinho esperava pra aquele ano. Talvez a duplicação de sua coleção de carrinhos, o boletim recheado de 10, um jogo irado pro videogame, um cachorro. Sei lá, não faço ideia. Mas seja lá o que tenha sido, ele aprendeu que nada ocorre num passe de mágica, que é preciso fazer alguma coisa pra alcançar o que queremos. Creio, e espero que meu pequeno também, que vamos conseguir o que queremos pela força de nosso coração e mãos!
Pra terminar, um pouquinho do Drummond:

"Para ganhar um ano-novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre."


Foto: Maninha

Elvis não morreu

Hoje Elvis Presley faria 75 anos.
Não pensem que sou uma fã ardorosa e por isso cutivo a memória dele. Nada disso. Ou melhor não é bem isso. Sou fã, sim, mas não tenho nenhuma dedicação a astro algum. Não acompanho de perto (acho que nem de longe.... talvez de logíssimo - minha vida já me ocupa muito) a vida das celebridades. Então, como sei disso? - estaria você se perguntando.

Explico: estava no carro, guiando pro trabalho, nesta quente sexta-feira, que promete ser também chuvosa, quando ouvi a notícia.
Imediatamente me lembrei dos filmes que via na sessão da tarde, quando adolescente. Como eu gostava!!!! Podia ver dezenas de vezes o mesmo filme, o que acontecia com certa frequência (não me acostumo a dispensar o trema!!), já que a TV reprisava muito - será que ela sabia do meu desejo nietzschiano de retorno? rsrsrsrsrs
A princípio, o que me encantou foi a imagem do Elvis - seu vigor, sua beleza, seu charme, seu jeito. O topete me intrigava, sempre tão ajeitadinho!!!!

Depois comecei a prestar atenção na música e na voz. Daí é que gostei mesmo!
Acho que tenho um certo deslumbramento pelas décadas de 50 e 60. Sei lá vontade de viver aquela efervescência toda.

Nunca fui roqueira de carteirinha, mas senti muito prazer ao ouvir os hits hoje de manhã no rádio. Gosto da música dele, da voz, da entonação, da emoção que passa.
Mas o que mais gosto, e por isso o imenso prazer em ouvir o Rei do Rock, é lembrar da época em eu assistia sessão da tarde. Será que é por isso que até hoje eu gosto do Jerry Lewis?!?!!?